A chave para o sucesso de 2017: empoderamento e a quebra de tabus

Que 2017 já acabou, isso nós sabemos. Mas não poderíamos deixar de falar sobre o surgimento de novos talentos na cena musical LGBTQ+, que pararam não só a internet, mas as plataformas digitais nesse ano que passou.

Há vinte, trinta anos, pouco se falava de artistas do gênero. A maioria era vista com tamanho preconceito, diante de uma sociedade ultraconservadora, ainda sob os moldes de um período de redemocratização do país. Hoje em dia, infelizmente, ainda há resquícios de tal. Por outro lado, aos poucos, os tabus vão se quebrando e assuntos como a transsexualidade, por exemplo, já são mais discutidos dentro e fora do mundo da música. A Woo! Magazine fez uma seleção com cada um dos que mais se destacaram e você não pode deixar de conferir, logo aqui abaixo!

Liniker

Paulista, natural de Araraquara, Liniker de Barros Ferreira Campos conquistou seu espaço ao fundar a “Liniker e os Caramelows” em 2015. Transexual, a cantora trouxe para a discussão questões de autoidentificação e aceitação, não só para o lado visual. Zero”, single do primeiro EP de sua banda, inclusive, foi tema de abertura da série “Liberdade de Gênero”, exibida pelo GNT e que encerrou sua segunda temporada no mês de dezembro.

Pabllo Vittar

Falar de 2017 sem mencioná-la, não haveria sentido algum. Foi considerada a “Pessoa do Ano”, por Joyce Paschowitch, além de, dentre uma série de prêmios, conquistar o troféu de maior revelação da música, pela MTV Portugal. No Rock in Rio, esteve ao lado da memorável apresentação com Fergie, no Palco Mundo, parou a Rock Street com o show na Arena Itaú. E apesar de enfrentar duras críticas, a cantora segue firme, lindíssima e alcançando voos ainda maiores.

Linn da Quebrada

Paulista, trans e criada em um lar religioso, Linn libertou-se das amarras há alguns anos, quando começou a escrever raps. De lá pra cá, apesar do longo caminho, a cantora quebrou todos os paradigmas possíveis com suas letras questionadoras e empoderadas, abrindo debates, principalmente sobre a relação entre periferia, sexualidade e os preconceitos que as envolvem.

Mulher Pepita

Ei, Pepitaaaaaaaaaa! Rãããn!
Priscilla Nogueira conquistou nossos corações, não só com seu bordão, mas com seu senso de humor, presente não só nas letras de funk, como no cotidiano. No fim do ano, brilhou no Women’s Music Event Awards, organizado pela Vevo para premiar mulheres que se destacaram na música durante o ano. Em seu discurso, frisou que não tinha vergonha de ser travesti, pois era feliz assim. E, definitivamente, vem conquistando a cada dia mais seu espaço na cena musical, não só pelo seu talento, mas pela garra e coragem.

Gloria Groove

Se você achou que ser dragqueen e cantar rap seria algo impossível, Gloria Groove veio para provar exatamente o oposto. Próxima dos holofotes há anos (ela participou da segunda formação do Balão Mágico, na infância), conquistou um lugar ainda maior no ano passado e fechou 2017 com um single que promete ser o hit do Carnaval desse ano, “Bumbum de Ouro”.

Banda Uó

Queridíssima por longa data, o trio composto por Mel Gonçalves, Davi Sabbag e Mateus Carrilho chocou a internet ao anunciarem uma pausa por tempo indeterminado, após sete anos de carreira. Na mesma época, lançaram o single “Tô Na Rua”, aumentando a saudade que ficou. Suas letras, muitas vezes bem animadas, ficaram marcadas pela irreverência.

Johnny Hooker

Depois de ter fechado o ano com o single “Flutua”, que critica fortemente a homofobia, o cantor – que navega entre o pop e o glam rock, mostrou que não veio para ficar por pouco tempo. Sua performance no Rock in Rio do ano passado, sem sombra de dúvidas, foi uma das mais memoráveis do festival e contou com a participação de Liniker e Almério.

As Bahias e a Cozinha Mineira

Formado em 2011 na USP, o grupo possui letras que são um verdadeiro grito contra a homofobia e o machismo. No último ano, lançou o disco “Bixa”, com uma pegada mais pop e com referências ao disco “Bicho”, de Caetano Veloso, lançado em 1977.