Série brasileira é a de maior audiência entre os programas de língua não-inglesa dos EUA

Teve quem menosprezou, duvidou e apostou num verdadeiro desastre antes mesmo da estreia. Teve também quem zombou, quem nem assistiu e mesmo assim deu pitaco, e quem assistiu e ficou com a opinião dividida.

Dentre erros e acertos, posições contra e a favor, sucesso ou nem tão sucesso assim, uma coisa é certa: 3% fez seu papel ao se tornar a série de língua não-inglesa mais assistida nos EUA. Parece besteria? Pois digo para você: não é.

Não é novidade para ninguém que a indústria cinematográfica num contexto geral é composta principalmente por obras na língua inglesa. Parece que a febre hollywoodiana, silenciosa, e que criou a falsa crença de que só os produtos norte-americanos é que são bons pegou a maioria dos telespectadores de todo o mundo.

Por isso não é à toa que, e tratando-se dos Estados Unidos isso se torna ainda mais importante, ter uma produção original brasileira como a maior vista depois das produções norte-americanas, onde se predomina o inglês, é sim uma vitória.

Sem contar que a produção acertou em cheio ao trazer uma maior diversidade ao enredo e quebrando certos esteriótipos. Durante a história podemos entrar em contato com deficiente físico, negra em posição de poder, entre outros.

E o sucesso de 3% no cenário internacional foi constatado através de uma análise de todas as produções de língua não-inglesa – sejam elas originais ou não – nos países selecionados. Nossa produção 100% BR foi a mais assistida nos EUA, mas carrega uma legião de fãs também na França, Austrália, Canadá, Itália, Coreia do Sul e Turquia.

A grande audiência mundo afora foi a responsável pela garantia de uma segunda temporada da série, que já tem um enredo pré-definido. Mais da metade do total de horas vistas da série vieram de mercados internacionais e, apesar da grande quantidade de críticas nacionais ao programa, os jornais Hollywood Reporter e o IndieWire se mostraram simpatizantes a ideia, ao elogiarem 3% em matérias veiculadas.

Em entrevista ao Estado, Erik Barmack, vice-presidente de Originais Internacionais da Netflix, disse que a produção teve a capacidade de agradar aos fãs de diversos países do mundo todo, além dos EUA.

“A série foi amplamente vista fora do Brasil em diversos países, o que nos mostra que há sempre um público para uma grande narrativa, seja com conteúdo produzido nos Estados Unidos, Brasil, Singapura, Austrália, Índia ou no Oriente Médio. O sucesso da série em todo o mundo nos levou a confirmar a segunda temporada assim que a série foi lançada. Os produtores, diretores e elenco brasileiros de 3% construíram uma série atraente que questiona a dinâmica da sociedade ao colocar os personagens em um processo de sobrevivência cruel para chegar ao ‘outro lado’.”

Apesar dos problemas de enredo que alguns apontaram e outras implicâncias que vez ou outra insistiam em aparecer, ter o reconhecimento internacional de uma produção brasileira é de se orgulhar sim. É de encher o peito e pensar que nós, brasileiro, país de terceiro mundo, temos a capacidade de fazer um produto bom, que vende e que é admirado em outros lugares.

Que 3% continue fazendo sucesso e que a segunda temporada venha com mais aventuras pra gente acompanhar.

Ah, e se você quiser saber um pouco mais da primeira temporada, confira a crítica sobre a produção feita aqui na Woo!