O mundo do cinema conversa, e muito, com o mundo teatral. Inúmeras peças são adaptadas para a telona, ou vice-versa. Comparar a qualidade das dois espaços é difícil pois se tratam de linguagens e approach completamente diferentes. Por isso, é comum espetáculos ganharem prêmio e terem filmes inspirados neles que deixam muito a desejar. Assim como a tentativa de reproduzir o cinema no palco pode ser um tiro no pé. Mas vamos falar aqui de escolhas felizes e de sucessos tanto no teatro quanto no audiovisual. Venha conferir!

Minha mãe é uma peça (2006)

Como é bom um obra nacional ser tão bem sucedida quanto “Minha Mãe é uma Peça” do talentosíssimo Paulo Gustavo. O ator, em 2006, decidiu levantar um monólogo sobre as peripécias de Dona Hermínia e não deu outra, foi sucesso absoluto. Dirigido por João Fonseca, com um orçamento mínimo de 3 mil reais – que conseguiu através de uma vaquinha que fez na família – o ator estreou no Teatro Cândido Mendes (RJ) e gerou tanto boca a boca que os palcos foram pequenos para o burburinho. Eis então que “Minha mãe é uma peça – O filme” estreou nos cinemas no dia 21 de junho de 2013 e o longa dirigido por André Pellenz atingiu uma marca de dois milhões de espectadores em sua terceira semana de exibição nos cinemas. Foi o filme mais assistido nos cinemas brasileiros em 2013, com mais de 4.600.145 espectadores. Sucesso estrondoso nos palcos e nas telonas.

Confissões de adolescente (1992)

Outra produção nacional de destaque é o espetáculo “Confissões de adolescente”, inspirado nos diários de Maria Mariana, que incentivada pelo pai diretor e dramaturgo Domingos Oliveira, registrou seus anseios e percalços dos 13 ao 19 anos – fase complicada o suficiente para virar assunto de peça de teatro – E em 8 de março em 1992 subiu aos palcos – mais precisamente no porão da Casa de Cultura Laura Alvim –  ao lado de Carol Machado, Ingrid Guimarães e Patrícia Perrone para formarem o elenco da primeira montagem de “Confissões de Adolescente”. O grupo seguiu em cartaz até 1994, quando Patrícia e Mariana saíram. Carol e Ingrid ficaram por cerca de três anos. Nos anos seguintes, atrizes como Gabriela Duarte, Bebel Lobo, Ana Kutner, Maria Ribeiro, Deborah Secco, Carolina Dieckmann, Cássia Linhares, Mel Lisboa, Clarisse Falcão e Sophie Charlotte passaram pelo espetáculo, que foi encenado até em Portugal. Já virou série, livro e em 2014 virou filme nacional dirigido por Daniel Filho e estrelado por Sophia Abrahão, Isabella Camero, Malu Rodrigues e Clara Tiezzi. Neste caso temos aqui um excelente espetáculo e uma não tão feliz adaptação cinematográfica. Algumas críticas disseram que a própria série para tv de 1994 supera a telona.

Chicago (1975)

Falar de peças que viraram filmes e não falar da Broadway é impossível. O mundo dos musicais é uma aposta certa do cinema hollywoodiano. Chicago é um musical composto por John Kander, com letras de Fred Ebb e libretto de Ebb e Bob Fosse que estreou na Broadway em 3 de Junho de 1975 . Ele é o sétimo show da Broadway há mais tempo em cartaz na história. Sua adaptação cinematográfica estreou em 2002 e foi dirigida por Rob Marshall. O filme venceu seis prêmios no Oscar em 2003, incluindo o de melhor filme do ano e ocupa a 12.ª colocação na lista dos 25 maiores musicais do cinema americano. Difícil competir com esta obra no que se refere a sucesso absoluto tanto no teatro quanto na telona.

Um limite entre nós (1987)

Fences é uma peça escrita pelo dramaturgo August Wilson – a sexta de dez produções da Broadway criadas pelo próprio – que venceu o Tony Award de melhor peça de teatro e o Pulitzer de Teatro, ambos em 1987. O espetáculo que explora a evolução da etnia afro-americana foi adaptado para os cinemas em 2017 com o título de: “Um limite entre nós” e deu o Globo de Ouro e o Oscar à destruidora Viola Davis – ao seu lado está Denzel Washington e juntos eles estrelam essa adaptação comovente à altura da peça que compõe um clássico da literatura dramática contemporânea.

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