Se nesta edição houve um dia para os verdadeiros amantes do bom e clássico rock n’ roll, este dia foi 21 de setembro. Mesclando um pouco de novas caras (e também um pouco mais pops) com nomes de verdadeiros rock stars, a noite foi um presente para muitas gerações que juntas partilharam de shows inesquecíveis.

No palco Sunset a tarde começou com o talento e doçura de Ana Canãs que recebeu no palco seu convidado especial Hyldon. Na sequência rolaram as apresentações de Tyler Bryant & The Shakedown e The Kills. O grande show do palco aconteceu no começo da noite: Performático, Alice Copper e sua banda trouxeram um show repleto de surpresas. Com uma banda incrivelmente potente o astro do rock, no auge de seus 69 anos, encantou a plateia com truques e propostas que remetiam ao universo dos filmes de terror (e que nós sempre quisemos ver ao vivo). Mas antes de entrar no universo criado por Cooper, cabe aqui uma salva de palmas para MA-RA-VI-LHO-SA Nina Strauss que roubou a cena com sua guitarra impetuosa durante todo show – e com direito a solo, isso com só 30 anos!

A apresentação trouxe clássicos da carreira de Alice (seguidos por uma plateia lotada). Os detalhes cuidadosos de cenário e maquiagem tornavam toda a atmosfera assustadora e impecável. Com direito a um boneco gigante do próprio cantor na música “Feed My Frankenstein”, e a tão aguardada cena da guilhotina (onde o cantor é decapitado em cena). Um presente para quem pôde ver de perto! O convidado especial do show foi do também representante do heavy metal Arthur Brown, cantando seu sucesso “Fire” (1968) subiu ao palco com seu chapéu em chamas, para delírio dos presentes. Também participou da apresentação o super guitarrista Joe Perry (Aerosmith, que toca com Cooper na Banda Hollywood Vampires). Definitivamente um show digno de palco mundo!

Foto: Divulgação / Alexandre Durão

A banda finalista do programa “SuperStar” (da Rede Globo) abriu as apresentações do Palco Mundo com muita competência! Mesmo em meio ao nervosismo de abrir uma noite épica, os rapazes da Scalene não se intimidaram e além de um show de qualidade trouxeram um discurso de empatia e apoio à música nacional em um período tão nebuloso. Infelizmente não conseguiram reunir tanta gente junto ao palco, o que talvez se dê pela diferença entre o público das atrações principais da noite e o púbico da banda. Fall Out Boy entrou na sequência trazendo sucessos de sua carreira e animando seu público (que compareceu e fortaleceu a banda).

O penúltimo show da noite ficou por conta da banda Def Leppard. Os veteranos se apresentaram encerrando uma dívida de 32 anos. Isso porque os caras foram escalados para a primeira edição do festival, a qual não compareceram. E no melhor estilo “antes tarde do que nunca”, finalmente deram aos cariocas o tão agradado show. A banda tem uma tortuosa e intrigante história, na qual um de seus integrantes faleceu por excesso de álcool e remédios, e seu baterista perdeu um dos braços em um acidente de carro (tocando somente com o braço direito. Uma performance incrível!). Os britânicos não tão conhecidos pelas gerações mais novas mostraram o motivo de se manterem ativos por tantos anos.

A grande atração da noite foi a (tão aguardada) banda estadunidense Aerosmith. Por muitos considerada a maior banda de Rock n’ Roll da américa, apresentou clássicos da longa carreira. Não se pode dizer que foi um show extremamente comercial com “um sucesso atrás do outro”, mas para os amantes do rock, foi um presente! Aquela que talvez seja a última apresentação dos caras em solo nacional trouxe sucessos como “Cryin’”, “Living on the edge”, “Falling in love (is so hard on the knees)”, e a música dona do maior coro da noite “I don’t want to miss a thing”. Uma apresentação que mostrou o quanto a idade não pesa para a banda, que segue impecável em qualidade e força. A voz de Steven Tyler segue sendo a marca potente da Aerosmith. Um longo solo instrumental tomou de assalto por volta da metade da apresentação, o que foi bastante criticado por parte da plateia; e muito admirado por outra. E no bis, com direito a piano de caldas branco “Dream on” lavou a alma do público que por tantas horas aguardou por este show épico. Enfim, uma noite de clássicos que mostram o porque o rock segue sendo um estilo musical tão rico e influente.

Foto: Divulgação/ André Bittencourt