Que o mercado asiático já chegou forte ao Brasil isso não é nenhuma novidade. Os animes e as séries com heróis performáticos foram os pioneiros na trilha desse caminho. Pouco tempo depois, as músicas invadiram o cotidiano de muitos jovens, não necessariamente de origem asiática. Agora, um mercado que ainda está caminhando a passos lentos é o cinema. É complicado encontrar filmes do Oriente nas telonas nacionais, mesmo aqueles que são grandes blockbusters na ásia. Para o público brasileiro que não conhece tanto – ou nada – desse mercado, listamos cinco filmes para começar a navegar pelo universo da cinematografia asiática, que vai muito além de Godzilla.

Athena: Deusa da Guerra (2010)

O filme de ação sul-coreano foi um dos grandes sucessos do país na última década. A história gira em torno de um grupo terrorista internacional que monopoliza o mercado mundial de energia, que acaba se sentindo ameaçado pela Coréia do Sul, depois do país finalizar uma nova tecnologia de produção no setor.

Para que o plano possa dar certo, os terroristas sequestram a filha do presidente. Para que possam libertá-la, eles exigem a entrega de um cientista norte-coreano, que trabalha para o governo do Sul. O agente Lee Jung Woo é convocado para se encarregar de encontrar o grupo e impedir o terrível plano do grupo. Como todo filme de ação, tem muitas lutas, confrontos com arma de fogo e fuga implacáveis. Contudo, o desenvolvimento da história é muito bem elaborado, sendo capaz de deixar qualquer pessoa presa à TV.

Triologia Samurai X (2012 – 2014)

Live-actions quando chegam ao cinema geram uma certa desconfiança inicial. E para Samurai X (Rurouni Kenshin), a regra não foge a exceção. Aliás, essa dúvida acaba logo que o filme começa. Adaptado do mangá e anime de mesmo nome, a história conta os passos do espadachim Kenshin Himura em tentar ter uma vida normal, depois de um passado sombrio como o assassino Hitokiri Battousai.

A obra foi sucesso de críticas e foi um dos filmes mais assistidos da história do Japão. Para quem já conhece o anime e o mangá, o filme é um prato cheio. Contudo, enfrenta os problemas de qualquer adaptação: Como contar mais de 50 episódios em 2 horas de filme? Mesmo com esse problema, Samurai X foi bem fiel ao anime, principalmente na caracterização dos personagens e nas cenas de combate.

Pais e Filhos (2013)

Premiado no “Festival de Cannes” e na “Mostra SP” de 2013, Pais e Filhos traz às telas o debate sobre o papel da família na sociedade contemporânea e os dilemas de aceitar uma nova vida com outras pessoas. Na história o executivo Ryota, que trabalha no mercado imobiliário, tem uma relação cercada de conflitos com o filho Keita que, apesar de uma criança, é doutrinado de maneira rígida para ser o melhor em todas as atividades. A grande mudança da história acontece quando a família de Ryota descobre que Keita não é seu filho, e que, na verdade, foi trocado na maternidade. A partir desse momento, os quatro adultos e as duas crianças precisam conviver em uma nova realidade, cheia de contrastes e desafios. É um recomeço na vida de cada uma.

O grande destaque do filme são os diálogos que são capazes de sensibilizar e que ajudam a refletir a situação vivida por cada personagem. É um filme que deixa interrogações na cabeça: O que fazer nessa situação? Como agir? Vale a pena renegar a boa vida para estar ao lado da família de sangue?

Túmulo dos Vaga-Lumes (2005)

Esse é mais um live-action, dessa vez do filme em animação, que é baseado em uma história real presente no livro “Haturo no Haka”. Na história, os irmãos Seita e Setsuko são afastados dos pais, após a mãe morrer na guerra e o pai ser convocado para combate, no auge da Segunda Guerra Mundial, e acabam indo morar na casa de parentes. Por causa do tratamento desigual que sofriam, as crianças fogem da cidade e vão para um abrigo no meio da floresta. No local, convivem com fome, doenças, e tentam se manter firmes e alegres por meio de brincadeiras. Na região habitam muitos vaga-lumes, que são admirados pelas crianças.

O filme apresenta a ótica da guerra na perspectiva de duas crianças, que assim como muitas, perderam a família nos confrontos militares e precisam conviver com decisões violentas que estão aquém delas. Durante a obra, o filme revela aspectos que podem levar os espectadores a pensarem sobre a importância de aproveitar a vida ao lado das pessoas que gostam. O longa apresenta cenas que vão desde os conflitos da Guerra até a rejeição familiar. É muito difícil não se envolver com a obra.

Batalha Real (2000)

“O melhor filme de todos os tempos”, segundo Quentin Tarantino. Só pelo elogio de um dos diretores mais importantes de todos os tempos é possível perceber que Batalha Real não é uma obra comum. E não é mesmo. Vamos a história!

Em um Japão em crise financeira e com aumento significativo da evasão escolar e da delinquência juvenil, o Governo, para evitar a rebeldia dessa geração, resolve instaurar uma medida que vai contra qualquer direito humano: o Ato BR. A medida é um programa em que um grupo de jovens de alguma classe, escolhidos pelo comportamento “impróprio”, é mandado, contra a vontade, a uma ilha deserta para participar de um jogo ao estilo “survivor” (sobrevivência).

Na ilha, os alunos recebem kits com suplementos e uma arma ou ferramenta para uso. No jogo só pode haver um vencedor. Se dentro de três não houver um vencedor, todos morrerão por conta das coleiras instaladas nos pescoços dos adolescentes. No desespero para sobreviver, amigos se tornam inimigos, amores são tomados pelo ódio, e natureza humana é colocada a mostra, no melhor estilo Hobbesiano.

Se você achou o filme parecido com “Jogos Vorazes”, não está tão enganado. De fato, as obras se assemelham muito. E isso levou a discussão de que a obra norte-americana seria um plágio da japonesa. A autora de Hunger Games afirmou que não plagiou a história e que nem a conhecia quando começou a escrever sua obra. A verdade é que ambas, apesar da narrativa parecida, são bem diferentes na forma de estruturação dos personagens e da própria história. De semelhante mesmo apenas a narrativa principal.

Com esses cinco filmes já dá para começar a se aventurar pelo universo do cinema oriental. Se curtiu a lista, dê uma comentada. Acha que está faltando algum filme na lista, não deixe de dar sua sugestão.