Em meio a tantas crises econômicas, políticas e sociais, eu gostaria de tomar cinco minutinhos do seu tempo para falar um pouco sobre a incrível experiência de ir assistir a um filme numa sala de cinema.

Vamos começar pelo fato de que não há prazer maior na vida do que ver filme (e comer, mas isso fica pra uma próxima). Tanto filmes quanto séries são justamente o tipo de entretenimento que o ser humano precisa e está precisando MUITO ultimamente, afinal, é o único momento do dia em que você pode ser transportado de qualquer realidade que você esteja vivendo para um mundo paralelo onde tudo é possível. E tudo mesmo!

Então é com uma simples experiência cinematográfica que você é capaz de abstrair de quaisquer problemas, preocupações, etc por pelo menos 30 minutos. Se o enredo for interessante então, nem se fala!

Portanto eu entro nessa questão da sala de cinema, tão única, tão insubstituível. É óbvio que aguardar um filme sair na Internet para assisti-lo no conforto da sua casa, rodeado de amigos e sem gastar um centavo tem lá o seu valor. Mas existem determinados filmes e determinados momentos da sua vida que pedem por um “cineminha”. E quer saber por que? Porque ambientação é tudo.

O evento de ir ao cinema – que antigamente era tratado com muito mais glamour – por si só já requer um outro tipo de preparação psicológica. Você sabe que quando você entrar naquela sala a sua mente automaticamente deixará um bando de baboseira para trás para dar lugar ao que realmente importa naquele momento, que é o filme (Afinal de contas, você pagou né, e vamos combinar que meia entrada por R$18,00 não tá fácil pra ninguém).

Você decide então que precisa desfrutar aquele momento da melhor maneira possível deliciando-se com pipocas, doces e refri da bombonière (olha a comida aí de novo), e não, você não se importa de pagar porque você precisa daquilo, aquele estado de perfeição durante aquelas duas horas que vão se passar.

Então você aguarda ansiosamente a hora em que já pode entrar no filme – isso já tendo devorado metade do saco de pipoca – para então entregar o seu ingresso para o cara legal que vai te informar a sua sala. E aí sim tudo começa.

Aquela sala, imensa e com tantos lugares para sentar, todos podem ser seu, você que escolheu mais cedo. Hora de sentar e aguardar os trailers, que por mais irritantes que sejam com a imensa quantidade de spoilers que dão sobre os próximos filmes, são capazes de causar frio na barriga de tanta curiosidade. “Quais serão os próximos filmes?” “Sobre o que são?”

E aí a sala assim como a sua visão são tomadas por uma escuridão reconfortante. Aquele breu traz suspense, expectativas, foco. Aquele breu traz silêncio imediato e faz até com que a vontade de fazer xixi passe. O escuro da sala te transporta para dentro da tela.

Bom ou ruim, quem tá ali dentro é você. Sentindo tudo e vivendo todas aquelas emoções de raiva, dor, paixão, angústia. Por que ver a mensagem do crush no celular? Por que sair pra comprar mais pipoca que acabou nos primeiros dez minutos? Por que se incomodar com o barulho de gente mastigando ao seu redor? Por que piscar?

O filme acaba e você ainda tá dentro dele pelos próximos segundos ou minutos. Pensando, matutando. “Foi coerente?” “Por que acabou desse jeito?” “Quando vão lançar o próximo?” “Queria meu dinheiro de volta”

E o mais interessante é que no final, quando as luzes se acendem, o seu corpo pesa. Você se levanta, dá uma espreguiçada e olha ao seu redor. E se pergunta:

Por que acenderam as luzes?

Por Júlia Bockmann