Quem não conhece “Araquém Alcântara” precisa conhecer. É um dos mestres fotógrafos do nosso país, acolhendo as matas e o sertão brasileiro em sua lente há 50 anos. Ele possui 59 livros e já esteve cem vezes na Amazônia. Em uma palestra que aconteceu em São Paulo neste mês de março, ele afirma que a fotografia “tem a responsabilidade de lutar pela integridade, provocar e conscientizar”.

Fotografia é síntese. Também é algo muito difícil de ter só uma definição. Por volta de uma hora e meia, Araquém Alcântara tentou nos traduzir tudo aquilo que viu e captou através de seus equipamentos pelo Brasil o que ninguém vê. Segundo ele, o país precisa de encantadores e precisa ser reconhecido, e para isso, é preciso que o fotógrafo esteja pronto, saiba escolher o caminho com o coração e nele viajar absolutamente íntegro.

Foto: Divulgação – Araquém Alcântara

“As cópias, vocês farão muitas”, afirma. Diz que é porque delas vêm a influência, mas a maneira de dizer as coisas têm que ter a sua marca, alegria e prática. Por muitas vezes, o fotógrafo é aquele que reinventa o mundo com o conjunto de câmera, tecnologia e criatividade, pois é nela que está a subjetividade e a sua opinião sobre a vida.

Por meio de suas belíssimas palavras ele diz que um profissional completo precisa conhecer a história da fotografia, conhecer fotógrafos e praticar. Sem o repertório o fotógrafo cai no senso comum.

No meio do seminário, surge uma pergunta: “Qual é a coisa mais importante na fotografia?” e ele diz, “Claro que é a luz. A lente certa, no lugar certo”, continua seu depoimento falando que quanto mais luminosa for a lente, mais você tem condições de procurar a luz.

 

No meio de tantos livros e anos de carreira, ele fotografa bichos e gente. É assim que gosta de falar. Diz que seu trabalho é importante para propagar aos jovens a sustentabilidade, pois precisamos sim abrir a Amazônia para o âmbito global.

“É preciso entender as culturas desse povo e propagar, essa é a missão da fotografia”.

Alcântara finaliza dizendo que a beleza é a verdade, e nos ensina que é preciso sentir essa responsabilidade na hora de pegar a câmera, para se aprimorar como ser humano e fotógrafo. Seja amador ou profissional, Araquém é inspiração de técnica, qualidade e vida.

Por Julia Reis