O tabu de não se falar sobre o preconceito dentro do cinema ganhou ainda mais força para ser quebrado e reivindicar um espaço de discussão quando, no ano passado, as pessoas começaram a subir a hashtag #OscarSoWhite (oscar tão branco). Entretanto, o assunto não se remete apenas aos dias atuais, nos quais Katniss Everdeen de Jogos Vorazes é descrita como “pele escura” nos livros e nos filmes é vivida por Jennifer Lawrence. Ou, quando um enorme furor pôde ser causado porque um membro do “Quarteto Fantástico”, o Tocha Humana, nos cinemas é negro, interpretado por Michael B. Jordan, sendo que nas HQs o personagem é branco.

Muitos ativistas da causa já vêm tentando seu espaço de fala há muito tempo, abrindo um parêntese, algumas faculdades de comunicação já abordam o assunto por meio do filme intitulado “O Nascimento de Uma Nação” de 1915, dirigido por D. W. Griffith, que utiliza atores brancos pintados para representar pessoas negras. A produção simboliza uma evolução enorme na parte técnica de criação de filmes, entretanto foi proibido em algumas cidades dos Estados Unidos por sua temática considerada racista.

O Nascimento de Uma Nação – 1915

Entretanto, o movimento começou a ganhar voz e visibilidade quando, Spike Lee, diretor de filmes conceituados como Malcolm X” e a versão americana de “Oldboy”, se recusou a participar da cerimônia do Oscar, pois dizia que elas eram “brancas” demais. Alguns comentários diziam que era exagero do diretor, outros demonstraram seu apoio a ideia e deram voz à indignação de muitas pessoas, como Will Smith, Viola Davis, e até Mark Ruffalo, que não representa a minoria negra, ou nenhuma outra, no cinema, mas se mostra totalmente simpático a causa, levando seus fãs a pensarem no assunto também.

O Oscar de 2016, apresentado por Chris Rock foi o ápice da luta, afinal é uma transmissão que reúne a grande maioria dos aficionados por cinema, e tratar um assunto tabu com tanta naturalidade como foi tratado só poderia render resultados positivos. Foi então que as redes sociais se encheram de críticas e nesse momento que surgiu a hashtag #OscarSoWhite, fazendo com que a academia tivesse que reagir. Em resposta aos protestos, foram feitas promessas de mudanças nas escolhas dos membros que também foram envolvidos na polêmica de racismo e machismo, por apresentar 94% de participantes caucasianos, dos quais 77% são homens.

Como podemos acompanhar na celebração do Oscar de 2017 a indicação de negros para o prêmio teve uma incidência maior, mas ainda não chega perto daquilo que as minorias vêm reivindicando, ainda existem papéis de mulheres que não são valorizados, filmes com personagens asiáticos, indianos, egípcios, e tantos outros, sendo representados por brancos. Uma mudança precisa acontecer, e não só na escolha de indicados ao Oscar pela Academia, mas em todo o processo cinematográfico e, principalmente, na mentalidade das pessoas que já entram para o ramo “pré-programadas” para certos estereótipos.

Por Beatriz Bertolli Paulini