Uma fotojornalista se alia a um grupo secreto de resistência contra um governo corrupto, acobertado pela mídia, que se aproveita de uma população vulnerável. Olhando rápido, parece Brasil, mas tudo se passa num planeta fantástico onde é ambientado o clássico “Beyond Good & Evil”, que teve sua sequência confirmada na última E3.

Lançado originalmente em 2003, o game de ação em terceira pessoa sutilmente destacou-se de tudo que já tínhamos visto no gênero até então, e mesmo agora, em 2017, continua assim. Contando com um universo bem construído, assim como seus carismáticos personagens, a história retrata sutilmente a necessidade de questionarmos o que a mídia nos mostra. Quantos jogos de sucesso ainda fazem a mesma coisa atualmente?

A protagonista é Jade. A fotojornalista é uma jovem mulher com seus talentos fotográficos, algumas habilidades marciais e um forte senso de justiça social. Junto com seu “tio adotivo”, Pey’j, ela toma conta de um orfanato, onde vivem com seis crianças – e onde a história toda do jogo começa a ser retratada.

Até o design da personagem diferencia-se de suas “colegas” no universo gamer: ela é uma mulher que não aparece objetificada sexualmente em roupas provocantes e nada práticas. Assim como muitos de nós, ela é mais uma pessoa tentando pagar suas contas e seguir com sua vida. No entanto, quando é jogada no meio da conspiração governamental do planeta Hillys, ela sente que deve agir para fazer um mundo melhor para ela e as pessoas com quem se importa.

Crescendo nos distritos pobres do pequeno planeta onde nasceu, assolado pelas constantes guerras, ela aprendeu a se defender, como é evidenciado em suas habilidades de combate. No entanto, ela não é uma super-heroína badass, derrotando exércitos sozinha – ela conta com a ajuda de seus aliados, felizmente, sem ser enquadrada no clichê da donzela em perigo. É muito mais uma cooperação mútua, onde um grupo age coesamente, contribuindo como podem.

 

Animais fantásticos e Onde Habitam

O misterioso planeta onde se passa a história é quase um personagem a parte. Paisagens deslumbrantes e uma vasta fauna povoam Hillys, além das raças híbridas de humanos e animais. Uma das principais missões de Jade é justamente documentar, através de fotos, cada espécie que ela encontra: uma solução apresentada quando ela não sabia como fazer para pagar a conta de energia elétrica do orfanato.

Para descobrir os diferentes cantos do exótico planeta Hillys, será necessário navegar entre ilhas e cidades, pilotando o hovercraft de Pey’j.

E, como muitos críticos de cultura e games ressaltam sobre o clássico, seu universo nos é apresentado e explorado “através da lente da câmera de Jade, em vez da lente de um rifle”. Este é um grande diferencial, afinal, a esmagadora maioria dos jogos que temos a nossa disposição, são sobre matar algo, seja de forma realista, ou de forma “cartunesca”, como num “Super Mario Bros”.

É claro que “Beyond” é tem muito combate e criaturas que precisamos matar, mas este é de longe o núcleo do jogo, tampouco o fio condutor na exploração do universo. Quando você precisa lutar contra certas criaturas, é muito mais em autodefesa.

“Beyond 2” promete um universo maior ainda a ser explorado, com gráficos melhores que nunca

Jogo Vinho

Foram quase quinze anos para que a sequência de “Beyond Good & Evil” fosse anunciada, no entanto, o título de 2003 envelheceu bem. Hoje em dia, é possível jogá-lo no PC, no Xbox One, Xbox 360 e PlayStation 3. Para quem já jogou, vale a pena revisitar este mundo fantástico, e quem ainda não conhece, pode ir esperando um grande game de ação, aventura e exploração.

“Beyond Good & Evil 2”, por sua vez, será uma história de origens, passada anos bem antes dos eventos retratados no jogo original. Seu anúncio foi um dos pontos altos da E3. A revelação aconteceu pela exibição de um teaser trailer, durante a conferência da Ubisoft (“Assassin’s Creed”, “Child of Light”).

O aguardado game parece manter, até então, o mesmo diferencial de seu antecessor: uma sutil, porém significativa mensagem sobre manipulação midiática, opressão, representatividade e preservação do meio ambiente, com uma dose sóbria e inteligente de humor. É assim que o primeiro “Beyond Good & Evil” permanece mais atual do que nunca, e é por isso que mal podemos esperar pelo próximo!