O parque de skatistas no Lower East Side de Nova York, chamado de Coleman Skatepark, mudou de cor. O cinza metálico de trilhos, guinchos e rampas que preenchem o parque, escondido sob a Manhattan Bridge (uma das pontes mais conhecidas da cidade) deram lugar à arte colorida e política da artista Barbara Kruger, como parte da sétima edição da Performa Biennal, uma bienal de performances que acontece na cidade todo ano. A exibição durou até o dia 19 de novembro e esteve presente em diversas partes de Nova York.

A instalação, criada em parceria com a NYC Parks e o designer Steve Rodriguez, Barbara Kruger mostrou sua assinatura artística, com estratégias para transmitir mensagens que envolviam questões e idéias sobre poder, desejo, adoração, desprezo, capital e mortalidade no parque de skate mais popular de Nova York.

Arriscando o uso de uma palavra que não acredita hoje em dia, Kruger revelou o que sentiu ao fazer sua instalação no Coleman Park: “Estar ali, embaixo daquela ponte gigante – e eu odeio usar essa palavra porque atualmente ela é usada em excesso – é realmente incrível, disse a artista. “O parque tem um zumbido ensurdecedor por conta do trânsito em cima da ponte e de todos esses skatistas, e então meu trabalho atua como um chão firme para essas pessoas que estão fazendo suas manobras ali”.

Coleman Park, Nova York – Novembro, 2017

A artista de 72 anos nasceu em Newark, Nova Jersey, mas mudou-se para Nova York na década de 60, ingressando na Parsons School of Design. Começou a carreira como designer de uma revista chamada Mademoiselle, mas trocou essa vida pela de artista que queria ser: trabalhar imagens e palavras, com uma linguagem política forte e gritante, usando clichês de mídia de massa para provar, de fato, que o meio é a mensagem.

Além da instalação no Coleman Park, Kruger construiu mais três obras públicas como parte da Bienal: um outdoor, um ônibus escolar político percorrendo bairros da cidade, e uma repaginação dos bilhetes de metrô, redesenhando os MetroCards e fazendo sua arte circular pela cidade. Ela também deu vida a uma performance ao vivo, a primeira da artista, onde expandiu suas críticas ao consumismo.

Os outdoors, localizados na 10th Avenue e na 17th Street (visível pela High Line), traziam o estilo mundialmente reconhecido da artista, com frases carregadas e fortes, na fonte Futura Bold dentro de blocos vermelhos, com mensagens sobre consumismo e feminismo.

Um dos outdoors de Barbara Kruger em Nova York

Já o ônibus escolar pôde ser visto passando em torno de Manhattan e estacionado em diferentes locais da Performa em toda a Bienal. Baseado em ativismo, feminismo e comunidade, o texto de assinatura da Kruger é reproduzido em um formato de vinil em larga escala, cobrindo toda a estrutura do ônibus.

O ônibus escolar político de Barbara Kruger

O projeto do MetroCard consistia em 50 mil unidades de edição limitada dos bilhetes com a arte de Kruger. A arte eram perguntas pontuadas, similares às que Barbara expôs durante toda sua carreira, como “Quem está curado? Quem está alojado? Quem está em silêncio? Quem fala?”. Essa foi uma releitura a um outro projeto da artista de 1991, batizado como “Sem título (Perguntas)” e teve uma das perguntas impressas na capa do Newsweek de 1992. “Whose values?” (em português, “Valores de quem?”) foi uma resposta à ênfase dada por Dan Quayle sobre valores familiares durante sua campanha à vice-presidência.

Kruger afirmou em uma entrevista que essas questões de poder, controle, dano físico, morte e predação são antigas.

“Desejo que algumas dessas questões se tornem arcaicas”, disse a artista para o New York Times.

O trabalho de Barbara Kruger está nas coleções permanentes do Museu Whitney, do Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles, do Museu Hammer, do Museu de Arte do Condado de Los Angeles, do Instituto de Arte de Chicago, do Museu Guggenheim e da Fundação Broad Art, entre outros. Ela também é professora da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, cidade onde Kruger mora quando não está em Nova York.