Segundo estudos, o ato de cantar pode ajudar os seres humanos a serem mais saudáveis e também mais amigáveis

A música é uma constante na vida dos seres humanos, acompanhando a história do tempo e fazendo parte de diversas culturas e épocas, exercendo sempre funções diferentes e se tornando a linguagem universal que ultrapassa barreiras e obstáculos. Já dizia o saudoso personagem Dom Quixote de La Mancha que “quem canta, seus males espanta”, e ele estava inteiramente correto segundo Camila Miranda Loiola, pesquisadora e doutora em fonoaudióloga pela PUC-SP na linha de Voz Profissional, que apresenta estudos de que o canto faz bem para o corpo e para a mente humana.

Quando canta, o corpo humano libera endorfina, o mesmo hormônio liberado na prática de exercícios físicos, de relações sexuais ou de ingestão de chocolate. Outras vantagens do canto são a diminuição do stress, melhoria da capacidade pulmonar e trabalho do sistema cardiovascular. Praticar o canto respeitando as limitações do corpo e buscando entender os benefícios, os músculos abdominais e faciais se exercitam também. Ainda sob efeitos da endorfina, o corpo que canta pode receber ações analgésicas e estimular inúmeras outras sensações, como o bem estar, a autoconfiança, o otimismo, o conforto, entre outras.

Segundo o estudo “The ice-breaker effect: singing mediates fast social bonding” (O efeito quebra-gelo: cantar proporciona um rápido vínculo social), realizado pela Universidade de Oxford, o canto também pode render amigos. “Cantar talvez tenha evoluído para unir rapidamente grandes grupos humanos de estranhos”, relata o estudo, através de uma ação chamada “afeto positivo”. O fato de cantar é algo em comum de todas as sociedades e de todos os seres humanos, cada um com seu limite, é um sinal de que essa é uma capacidade universal, reafirmando que cantar é uma linguagem de todos e que se trata de uma adaptação evolucionária.

A endorfina liberada quando o indivíduo canta é vista como um neuropeptídeo opioide, um transmissor de fortes emoções, que é estimulado pelos laços afetivos humanos mais fortes, como entre pais e filhos ou entre um casal apaixonado. Cantar com pessoas desconhecidas pode fazer com que estes neuropeptídeos opioides sejam ativados, tornando “os cantores” grandes amigos. O estudo da Universidade foi realizado com diferentes turmas e os resultados obtidos a partir da turma de canto, mostraram uma maior interação entre os alunos, como se fortes laços de amizade se formassem mais rapidamente do que em outros cursos.

Ainda não podem ser encontrados estudos que tragam dados negativos sobre o ato de cantar, as pesquisas expostas trazem bons motivos para a prática. Segundo Monique Andries Nogueira, doutora em educação, a música, acima de tudo, é um ótimo exercício para manter o cérebro sempre em atividade.

“Efetivamente a prática de música, seja pelo aprendizado de um instrumento, seja pela apreciação ativa, potencializa a aprendizagem cognitiva, particularmente no campo do raciocínio lógico, da memória, do espaço e do raciocínio abstrato.”, informa a doutora.

Profissionais, quando são procurados para discursar sobre os efeitos do canto, aconselham seguir a recomendação de Martinho da Vila que diz: “Canta, canta minha gente, deixa a tristeza pra lá, canta forte, canta alto que a vida vai melhorar”, e aproveitar as vantagens do canto mesmo que amador, pois cantar e bem estar são sentenças que seguem sempre juntas.

Por Beatriz Bertolli Paulini