Comandante Gastronauta para leitores, Comandante Gastronauta para leitores…

Hoje iremos viajar no histórico desbravamento das mulheres em duas importantes missões para a humanidade. É preciso apertar os cintos e prestar muita atenção as sensações desta viagem, pois talvez nem todos saibam que cerveja e viagem espacial estão muito bem harmonizadas na história, graças às mulheres.

Evidências mais arcaicas relacionadas ao processo de produção da cerveja vêm da antiga Suméria, atual sul do Iraque e Kuwait. Entretanto, as responsáveis pela descoberta acidental da cerveja na antiguidade, foram ELAS. Desde então, como podem ver, ali já estava consumado que cerveja não tem gênero. Então, diretamente de minha nave espacial eu pergunto por que ainda vivenciamos assédios e ausência de respeito para com as mulheres? Contra aquelas que atuam profissionalmente no cenário cervejeiro e contra as que apreciam sozinhas uma cerveja no bar? É uma viagem louca, não?

Perro Libre Cerveja SWC

Melhor tirar o capacete, entregar-se à gravidade zero, abrir uma cerveja para conter a intolerância dos absurdos diários, assistir a um bom filme e enxergar, ainda que sob muitos enfrentamentos, os avanços conquistados por mulheres protagonistas não são só de muitas histórias que beneficiaram a humanidade, mas também de suas próprias vidas. Acompanhem-me!

Tssss! Ploc! – “SWC Double India Pale Ale” da cervejaria Perro Libre, tem características das cervejas produzidas no sul da costa americana. Uma cerveja de coloração mais alaranjada, bem turva e com boa espuma. Extravagante no aroma de lúpulo e nas notas cítricas de frutas como maracujá, toranja e tangerina. Nem preciso dizer que o sabor é condizente com o aroma né? Porém, a força da cerveja está em seu extremo amargor proveniente dos lúpulos. São 80% de IBU (amargor) e 8% de ABV (teor alcoólico). Antes de harmonizá-la com embutidos como uma deliciosa panceta artesanal, vale comer algumas rodelas de pão francês e tomar bastante água para limpar o paladar (não é frescura, é procedimento para melhor análise sensorial e da cerveja). Em seguida, panceta na boca e um gole da “SWC” para potencializar a picância, cortar gordura e complementar o prazer de união das forças. E por falar em força, selecionar também do território americano o resgate da história de Katherine G. Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, retratadas recentemente no filme “Estrelas Além do Tempo” (2016) do diretor Theodore Melfi, pode causar excessivo empoderamento. O filme perfeito para ser assistido durante a nossa viagem espacial regada a  “SWC Double India Pale Ale”  se passa na década de 1950 e 1960 e aborda a corrida espacial na NASA, a qual só foi efetivada graças ao trabalho dessas três mulheres negras que não silenciaram suas competências. Ao contrário, elas fizeram revolução em meio ao preconceito racial e sexual da época.

Estrelas Além do tempoDepois de todo esse gole o que fica no retrogosto e na memória, não podemos revelar. Parece covardia não detalhar totalmente a experiência de tomar uma cerveja forte de amargor durante a apreciação de luta e coragem dessas mulheres, não é? Mas, assim como as mulheres pioneiras no mercado cervejeiro até aquelas que foram responsáveis por nos trazer conquistas espaciais, que vamos diariamente desconstruindo e reconstruindo conceitos sobre o papel da mulher na sociedade. Seja na escrita ou na capacidade de elas despertarem em você a curiosidade de tomar uma cerveja mais forte de amargor à luz de um filme sobre a persistência feminina, que conseguimos viajar nas possibilidades gastronômicas e cinéfilas como uma união indissociável. Para além disto, lembre-se que hoje temos sim mulheres trabalhando na NASA, desenvolvendo lógicas, projetos e claro, mulheres produzindo e consumindo cervejas além de um tempo em que a sociedade “achava” que cerveja, matemática e física, era competência dos homens.

Um brinde à todas!