Como todos já sabem, a franquia de “Cinquenta Tons de Cinza” sempre teve grandes planos de continuar e o lançamento do próximo filme, “Cinquenta Tons mais Escuros”, está previsto para 2017.

No entanto, o primeiro filme da série gerou toda aquela polêmica sobre se foi um sucesso de bilheteria ou não, e principalmente, sobre se foi um filme de fato bom ou não. O que muitos tinham que entender é que de fato não houve um equilíbrio entre qualidade e conceito do filme, o que não impede em NADA que as pessoas continuem assistindo e aguardando pelos próximos.

Se pararmos para analisar tanto a história quanto a própria direção e produção do filme, eu classificaria como a mais batida e cliché fórmula de bolo. Você pega o cara jovem e rico e coloca ele para se apaixonar com a menina doce e inocente. Ele é um deus do sexo e ela é virgem, ou seja, o famoso “os opostos se atraem”.

O público de leitores e espectadores já estão há muito tempo cansados desse tipo de fórmula e constantemente clamando por novidades e inovações no mundo do cinema e da literatura (principalmente infanto-juvenil), então por que tanto sucesso e tanta polêmica?

Porque gente, o assunto é sexo né. Esse é um dos primeiros filmes de romance-comédia-drama que resolve trabalhar com um tema que é um tabu da maneira mais “na cara” possível, porque não é apenas sobre sexo, é sobre sadomasoquismo.

O filme desperta a curiosidade de todo mundo, porque, como uma amiga minha psicanalista me explicou, ele transforma o pornô em erótico. Apesar de a parte do sadomasoquismo não ser da curiosidade de todos, a obra traz, num geral, o tema do sexo e da excitação, que são naturalmente reprimidos por nós inconscientemente, tornando essa ideia aceitável. Ele basicamente nos permite permitir.

Freud explica sobre isso, mas não estamos aqui para debater psicanálise. A questão é que, na minha opinião e acho que em um consenso geral, independente do péssimo roteiro, atuações medianas e uma história com receita de bolo, eu acredito que o filme não vai deixar de fazer sucesso enquanto ele continuar trazendo essa permissão para os desejos reprimidos de todos nós, espectadores.

Então em 2017 chega por aí o segundo filme da franquia com provavelmente uma história igualmente tosca, muita polêmica e gente que não admite estar aguardando ansiosamente pelas cenas mais “quentes”.

Mas a gente já sabe que estaremos todos lá para ver, então por que fugir?

Por Júlia Bockmann