2017 parece ser o ano dos cancelamentos ou término de séries. Como se não bastasse os cancelamentos recentes, algumas tramas estão em sua última temporada. É o caso de Orphan Black, série da BBC, em parceria com a Netflix.

“Orphan Black” é uma das melhores séries de ficção científica dos últimos anos. E nem foi necessária uma grande produção para isso, bastou Tatiana Maslany e sua atuação impecável para dar vida a cada uma das personagens.

Maslany interpreta em torno de 11 clones, conhecidos, fora os que são apenas citados. Cada um tem um jeito de falar, um sotaque, uma característica pessoal, e gera uma identificação com o público. Mesmo com um elenco secundário incrível, Tatiana é a verdadeira alma da história.

“Orphan Black” começou em 2013, nos apresentando Sarah Manning, que viu uma mulher igual a ela se suicidar no metrô. Assumindo a identidade da desconhecida, que mais tarde viria a ser Beth Childs, Sarah se vê envolvida em um mistério ainda maior, pois descobre ser um clone.

Além de Sarah e Beth, o público conhece Alisson, Cosima, Helena e Rachel. A última, por sua vez, faz um papel antagônico, pois foi a única a ser criada sabendo o que era e porque existia. Todas foram criadas a partir de um projeto, chamado LEDA, que se originou no Instituto DYAD.

Mais tarde, no decorrer da história, descobrimos que as meninas do LEDA não são únicas. Há uma versão masculina, chamada projeto CASTOR, que foi criado com fins militares. Todos os clones masculinos são interpretados por Ari Millen, que assim como Maslany, o faz com uma atuação impecável, ainda que não haja identificação entre os clones de Millen e o público.

As meninas do LEDA são mais cientes sobre a clonagem do que os rapazes do CASTOR, e isso é justificável ao longo da trama. Os rapazes são criados com um propósito que não incluiu a socialização e descoberta presente nas meninas. Alisson, de certa forma, construiu sua família com uma facilidade maior do que Mark, um dos clones do CASTOR.

Um dos pontos de “Orphan Black” é trabalhar toda a polêmica da clonagem humana. Veja bem: a clonagem humana pode ser benéfica. Estudos comprovam que a clonagem ajudaria em doenças incuráveis, como parkinson e alzheimer, porém ela também poderia ser usada para fins reprodutivos. Aí, então, entram argumentos, alguns de caráter legais e outros religiosos, que inviabilizam essa prática.

Mas, o ponto aqui é que “Orphan Black” retorna para sua quinta e última temporada agora, no sábado. E não há, no mundo, quem esteja pronto para se despedir de Maslany e suas criaturas. O motivo é simples: identificação. É o mesmo argumento que levou a revolta dos fãs de Sense8 na última semana.

Orphan Black

Maslany deu vida a seus clones com tanta perfeição que o público quis viver o universo da série. Cada uma das meninas tem suas especificações, e até toda a tirania de Rachel é justificável. Sarah, a primeira que somos apresentados, é uma pessoa impulsiva, com atitudes agressivas, que se dão por ter tido uma vida difícil, problemas financeiros e legais. Ao mesmo tempo, Sarah é mutável, e isso se torna mais presente quando sua filha, Kira, é ameaçada ou sofre algum problema na trama.

Beth, ainda que pouco explorada na trama, acaba sendo o oposto de Sarah. Sua maior frustração, e a que leva a seu suicídio, é perceber ter sido enganada por seu companheiro, Paul, que era, na verdade, seu monitor. Paul havia se relacionado com Beth para observá-la, a mando do Doutor Leekie, que era diretor no Instituto DYAD.

Cosima é a nerd do grupo, não só pelo seu estereótipo como também por trabalhar no DYAD, estar envolvida nas questões de patentes, genomas originais e uma possível cura, uma vez que há uma doença, a princípio fatal, que afeta tanto as meninas do LEDA quanto os rapazes do CASTOR. Cosima é uma das favoritas pelo público, também pelo seu relacionamento com Delphine.

Alisson, por sua vez, acaba por explorar o lado mais familiar das personagens. Ela é casada com Donnie e possui dois filhos adotivos (com exceção de Sarah e Helena, os outros clones não podem ter filhos). Alisson é mais cautelosa, preza muito por sua posição social e como é vista pela comunidade onda mora, o que a leva a evitar problemas relacionados aos clones, mas que se torna mais impossível ao inserir Donnie cada vez mais no mistério.

Helena, inicialmente, foi apresentada como uma vilã, por acreditar ser única. Suas atitudes também não eram aprovadas pelo público, mas Helena era uma vítima dentro de toda a insanidade que era apresentada em personagens fanáticos pela clonagem e suas variações. Com o decorrer da trama, Helena mostrou atitudes opostas ao que havia construído e foi conquistando seu espaço dentro do clone clube.

Rachel se concretizou como uma vilã e nunca fugiu disso. Ainda que também seja uma vítima, pois foi criada com um propósito único de ser um objeto de estudo, ela não se enxerga nessa posição. Rachel crê que sua existência é de certa forma mais importante que a de suas irmãs, e um dos motivos que a faz brigar constantemente com Sarah, é a questão de gerar filhos. Sarah e Rachel vivem mais em conflito do que os outros clones com Rachel.

Um dos novos clones, introduzidos na última temporada, foi Krystal. Fugindo de tudo que já havia sido mostrado em “Orphan Black”, Krystal é o padrão social feminino. O mais cômico, e talvez sua presença na série seja para quebrar com o clima sombrio que a série desenvolveu ao longo da história, é que ela não acredita ser um clone. Em uma das cenas, Felix, o irmão de Sarah, introduz Sarah à Krystal, e a mesma debocha quando lhe é sugerido que são idênticas. Maslany, por sua vez, se destaca também nesse lado cômico.

As quatro temporadas de identificação com o clone clube certamente garantiram o sucesso de Orphan Black. Resta esperar para ver se o desfecho dessa história tão envolvente cumprirá com as expectativas de justiça e humanização dos clones. “Orphan Black” é uma série original da Netflix, em parceria com a BBC, e possui quatro temporadas disponíveis. A quinta, chegará ao serviço um dia após a estreia mundial.

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