2018 já começou com novidades bastante positivas para os trabalhadores das Artes Cênicas. A partir do dia 18 de janeiro estreia no Estação Net Rio o documentário Como Você Me Vê?” que entra no circuito comercial de cinemas com distribuição da Livres Filmes.

O projeto produzido pela Bond’s Filmes e coproduzido pelo Canal Brasil e Asteroide Filmes, é um documentário de longa-metragem Como Você Me Vê?  que foca suas lentes na trajetória pessoal de atores experientes e iniciantes para explorar as mais diversas questões que permeiam a profissão, quando separada do glamour pelo qual é conhecida, formando um mosaico diversificado e compreensivo do que é ser ator no Brasil. O sucesso ou a falta dele, o reconhecimento profissional, as dificuldades de início de carreira, o papel da arte na sociedade e a vida real que acontece entre cada teste de elenco. “Como Você Me Vê?” examina a realidade da vida do ator que a grande maioria das pessoas não conhece: o ser humano comum que é movido pela paixão da arte de representar.

Com a produção baseada no Rio de Janeiro, que já é bastante conhecido por ser uma cidade que atrai atores de todo o Brasil por suas escolas de teatro, produção cinematográfica e por ser o lar de dois dos maiores canais de televisão do país, a escolha dos entrevistados tentou compor um elenco com interessantes e diversas biografias pessoais e profissionais, que fosse proeminente em diferentes mídias, mas sem focar apenas em artistas veteranos ou jovens de sucesso relativamente recente, mas englobando também aqueles que ainda levam a carreira na atuação à frente com muito amor e determinação, enquanto se sustentam com os mais variados empregos, que vão desde diarista e taxista a músico, DJ, produtor, etc.

Entre os entrevistados estão Matheus Nachtergaele, Amir Haddad, José Celso Martinez, Stênio Garcia, Cássia Kis, Nanda Costa, Rodrigo Pandolfo, Patrick Sampaio, Babu Santana, Luciano Vidigal, Erom Cordeiro, Marília Coelho e Letícia Sabatella, entre outros.

Além dos entrevistados, o filme conta com a participação de Júlio Adrião como ator convidado, apresentando um prólogo e um epílogo para o filme, além entrecortar as entrevistas com trechos do espetáculo “A Descoberta das Américas”.

Foto Divulgação: Ator Júlio Adrião em “A Descoberta das Américas”

A estreia mundial do documentário aconteceu no dia 24 de Novembro, na cidade da Praia, em Cabo Verde, durante a Mostra Competitiva do Plateau – Festival Internacional de Cinema, que levou ao país africano diversas produções de Brasil, Portugal, Cabo Verde e Angola. Já a estreia nacional se deu aqui mesmo no Rio de Janeiro, durante o FICA.VC – Festival Internacional Colaborativo Audiovisual, no dia 01 de dezembro no Cine Odeon. Seguindo com exibição do filme no dia 08 de Dezembro na Mostra Competitiva do FestCine Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza/CE.

Já em 2017 o filme acumulou alguns prêmios como o de Melhor Documentário no FICA.VC e Melhor Roteiro no FestCine Maracanaú.

Mas, como grande parte das produções brasileiras, nem tudo foram flores na trajetória desse trabalho. Trata-se de um filme independente que começou a ser produzido em 2014 pelo diretor Felipe Bond e o produtor Lucas H. Rossi , o roteirista Henrique Amud, (o trio de sócios da Bond’s Filmes) além do diretor de  fotografia Roberto Macedo, quando a ideia inicial ainda era criar um curta – metragem com apenas quatro ou cinco entrevistados, baseados nas experiências do diretor Bond, que também é ator e roteirista.

Apesar da falta de recursos e de incentivo público, o filme foi tomando corpo com a ajuda e perseverança de uma equipe que começou a trabalhar “no amor” e também com o imprescindível apoio de empresas e instituições como a Multiphocus Arte & Comunicação, Gráfica M3, Brecha, Escola de Cinema Darcy Ribeiro, Pasticceria Bloise, Studio 188, Cine Joia, Teatro Dulcina, Teatro Serrador.

Em 2015 o projeto foi temporariamente engavetado para que a produtora Bond’s Filmes pudesse se dedicar a outros trabalhos, como a mini – série documental Os Varandistas, e exibida pelo Canal Brasil no ano seguinte. 2016 se iniciou com fôlego renovado e um novo olhar sobre o material filmado, quando o projeto foi reativado e finalmente seguiu para a sua conclusão depois da adição dos coprodutores Canal Brasil e Asteroide, produtora curitibana que cuidou da finalização do documentário.

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Agora esse trabalho adentra o circuito comercial de cinemas levando todas essas histórias de artistas, recheadas de altos e baixos, no intuito de atingir o grande público e desmistificar um pouco do glamour que é colocado sob essa profissão. A realidade aqui é contada por várias bocas, consagradas e também das que ainda estão na busca por conquistar seu espaço, e essa mistura certamente promete muita identificação e emoção. Um filme para quem trabalha com arte e sente na pele os perrengues para se manter ativo e, mais ainda, para aqueles que não trabalham com isso, mas que consomem as produções teatrais, televisivas e cinematográficas brasileiras.

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