Nascida na cidade de Goiás em 1889, Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ou Cora Coralina, era uma humilde doceira de beira de rio, que no alge de seus 75 anos, publicou seu primeiro livro, (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais). Apesar da pouca escolaridade, uma vez que cursou somente até a quarta série, começou a se interessar pela escrita e poesia muito cedo, aos 14 anos já escrevia seus primeiros textos em particular, que bem mais tarde, vieram a ser publicados. Coralina produziu obras literárias poéticas, ricas em influências do interior do Brasil, em particular de ruas históricas de Goiás, onde viveu. A partir de então, foi considerada uma das mais importantes escritoras nacionais.

Para contar em mais detalhes a rica trajetória da poetisa, chega às telas dos cinemas dia 25 de maio, o longa que conta sua história de vida, em um misto de ficção e realidade. O filme é dirigido por Renato Barbieri ( de, Malagrida 2001; As vidas de Maria 2004; Cidades Inventadas 2010, e, já tinha participado de algumas cinebiografias antes, dentre elas as de Monteiro Lobato e Mauricio de Sousa) que também assina o roteiro junto com Regina Pessoa e repete a parceria de sucesso com o produtor Márcio Curi.

No papel da protagonista, diversas atrizes se revezam para viver Cora, durante cada fase de sua vida. Numa estética lúdica, emprestam também suas vozes em leituras múltiplas de textos e poesias, enaltecendo, acima de tudo, a produção artística da poetisa. Camila Salles, faz o papel de sua trisavó aos 5 anos. Maju de Souza é Cora aos 14, Camila Márdila aos 21, a atriz Teresa Seiblitz também participa da produção, assim como Beth Goulart e Zezé Motta que vivem uma Cora etérea e outra imponente. Coube à veterana Walderez de Barros personificar Cora em sua fase mais experiente e conhecida por todos.

O filme é baseado na biografia “Cora Coralina – Raízes de Aninha”, de Clóvis Carvalho Britto e Rita Elisa Seda (que também participam do filme, dando seus depoimentos sobre a convivência com Cora) e, foi um pedido do neto da poetisa,  o biólogo Paulo Sérgio Bretas de Almeida Salles, ao diretor. Paulo achava que além de já existirem vários curtas sobre sua avó, a rica história merecia ser contada em mais detalhes. O longa também conta com diversos depoimentos de parentes, amigos e especialistas, imagens raras e vídeos com entrevistas da personagem, fazendo uma transição entre documentário e ficção.

Considerado um dos destaques da Mostra Brasília do 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro em 2016, também foi muito bem recebido no Festival Internacional de Cinema Ambiental (Fica) e na Feira Literária Internacional de Paraty (Flip). O longa também recebeu o Prêmio Margarida de Prata da CNBB.

“Cora Coralina – Todas as Vidas” é um “passeio” sensível e poético pela vida e obra de uma das mais interessantes personalidades da literatura brasileira.