Uma história real com mais de 3 décadas e um assunto cada vez mais atual, o terrorismo

As tensões de toda ordem que sempre existiram entre Oriente e Ocidente durante a história, foram o estopim de inúmeros conflitos armados. Mas quando estes embatem movidos por ideologias políticas, e mais atualmente religiosas, começaram de fato a acontecer dentro das nações do lado Ocidental, o mundo se viu dentro de uma nova perspectiva relacionada à segurança.

Em abril de 1980 a embaixada do Irã em Londres é invadida por seis homens armados participantes de um grupo árabe iraniano, exigem que suas reclamações sejam atendidas pelas autoridades britânicas. É neste espectro da política internacional que “6 Dias” é baseado, diante de um acontecimento real e marcante para a história da Inglaterra em relação ao combate ao terror.

Não apenas por tratar-se de um “baseado em fatos reais”, mas aproveitando muito bem do teor documental para situar o espectador em entender o máximo possível do que está acontecendo, tanto do lado dos iranianos e buscar reconhecer as suas motivações verdadeiras. Assim como tantas outras abordagens que o cinema proporciona quando reconstitui este tipo de acontecimento, o de colocar homens bons versus homens maus parece que vai perdendo o sentido, quando cada vez mais o público se torna conhecer daquilo que está em sua volta.

É claro, sem retirar em nenhum momento o fato de que aquela ação é de ordem terrorista, visto mais a frente as consequências que ela causou, mas antes de tudo, a reflexão sobre qual o papel de cada país quando as fronteiras culturais, políticas e financeiras cruzam esta linha. Dentro de quadro, sem tirar os pés do chão, Toa Fraser propõe sua narrativa sobre o ponto de vista de todos os principais envolvidos, ou pelo menos daqueles que ficaram mais marcados após o cerco à embaixada.

Durante os seis dias de confinamento e das negociações entre as partes, aos poucos é montado todo o cenário e o envolvimento direto de cada personagem com os fatos. Sem delimitar necessariamente alguém como personagem principal, a trama foca na tensão e equilíbrio mental pelo qual cada um deles sofreu. Até mesmo guardando um espaço para que Salim (Ben Turner), líder do grupo invasor, tenha seu momento de construção quanto ser humano que sofre pelos conflitos internos de seu país.

Nem todos os personagens destacados na história se relacionam durante o filme, talvez este seja o ponto em que é perceptível o interesse em manter as expectativas em como a situação vai prosseguir, mesmo que todos estejam muito próximos uns dos outros o tempo inteiro. A ação é elemento secundário aqui, mas é na perspectiva do soldado Rusty Firmin (Jamie Bell), que pequenas doses daquele estereótipo do homem pronto para colocar o pé na porta e acabar com tudo aparece. Ele não convence, mas é entendível que isso acontece por ser preciso adaptar cada personagem no seu ramo, assim como a jornalista Katie Adie (Abbie Cornish) e a sua tarefa de transmitir para o público o que estava acontecendo.

Passando longe da noção de grandiosidade em cima da destruição, “6 Dias” coloca os pés no chão quanto ao aproveitar-se minimamente do próprio assalto à embaixada após o término das negociações. Diferentemente dos megalomaníacos Invasão à Casa Branca (2013)”, “O Ataque (2013)” e mais recentemente Invasão à Londres (2016)”, claro, todos eles ficções, mas que o principal estaria no tiroteio pelo tiroteio envolvendo bons e maus. Tudo bem que todos estes fogem da realidade, embora hoje em dia quase tudo seja possível em relação ao terrorismo, mas mesmo assim a estética visual que Fraser consegue transmitir, aproveitando muito da aclimatação da locações e usando o confinamento como motivo de aflição até mesmo para o lado de fora da embaixada,  já que os políticos e agentes de segurança se viam em uma importante e arriscada situação que poderia sair do controle a qualquer momento.

“6 Dias” teve sua primeira sessão em agosto deste ano no New Zealand International Film Festival,  mas sua estreia mundial aconteceu no dia 3 de novembro exclusivamente pela Netflix.

Crítica (2): 6 Dias
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