Dia 20 de Abril estreia nos cinemas a mais nova produção nacional: “Gostosas, Lindas e Sexies”. O filme conta a história de quatro melhores amigas, Tânia (Lyv Ziese – “Odeio Segundas” e “Boogie Oogie“), Beatriz (Carolinie Figueiredo – “Malhação” e “Ti Ti Ti“), Ivone (Cacau Protásio – “Avenida Brasil” e “Vai Que Cola – O Filme“) e Marilu (Mariana Xavier  Minha Mãe É Uma Peça” e “A Força do Querer“) que passam por algumas situações comuns do dia-a-dia, mas sempre com muito bom humor.

O filme foi a primeira obra cinematográfica do Diretor Ernani Nunes (que antes trabalhou com inúmeros filmes publicitários). A direção foi uma das principais pilastras de sustentação durante todo o filme, conseguindo guiar todas as personagens e passagens de cena para que nada ficasse cansativo, visto que são, em sua maioria, sequências consideravelmente grandes e muitas coisas acontecem em um só dia na vida das protagonistas. São quatro histórias que precisam conversar entre si e mostrar todo o seu desenrolar ao mesmo tempo, e a direção consegue juntá-las sem deixar perder detalhes importantes.

Em contrapartida o roteiro, escrito por Vinicius Marques (“Toma Lá, Dá Cá“), deixa um pouco a desejar. O texto fica um tanto confuso em determinados momentos da trama, ao insistir em cenas que poderiam facilmente ser descartadas. A forma escolhida pelo roteirista para apresentar a história até tenta fugir do convencional ao mostrar só uma parte da vida de cada personagem, focando mais no cotidiano delas. Entretanto algumas sequências são arrastadas e repetitivas, perdendo chances de se aprofundar mais nas histórias e valorizar todo o contexto. 

Já as personagens foram construídas de forma primorosa e trabalhadas com naturalidade e irreverência pelo elenco. Na produção, o fato de serem gordas não representa nada negativo e nem positivo para as mulheres, a trama não gira em torno do peso em nenhum momento, pelo contrário, cada uma foi construída para representar uma personagem real, que tem sua vida normal, que trabalha, que é bem sucedida em certos setores e em outros nem tanto. Ao contrário de uma caricatura muitas vezes abusada pelo cinema, elas são mulheres prontas para viver a vida,  amar, se apaixonar; são mulheres como qualquer outra, com desejos, sonhos, enfim… e ainda carregam a principal mensagem do filme: Cada um pode ser e ter o que quiser, fazer o que tiver vontade e estar onde quiser estar.

Os figurinos de Nicole Nativa são as chaves de ouro da produção. Sempre elegantes, cada um no seu estilo, nenhuma das personagens deixa de ser forte e sexy em seus modelitos. Desde a vestimenta de festa, passando pelas roupas de trabalho e de descanso, todas trazem uma mensagem, carregam consigo o verdadeiro significado do filme. Muito bem elaborados, desconstruídos sem preconceitos para as telonas, o figurino prova que a moda “plus-size” nada mais é do que uma moda “normal”, porém inclusiva e mais aberta.

A trilha sonora é outra agradável surpresa, e parte do que pode ser o grande sucesso da obra, com direito a canção tema entoada pelas cantoras Ana Carolina e Preta Gil. A música “GLS” (apelido que foi dado carinhosamente para o nome do filme) faz parte do crédito do filme e vale a pena ser escutada. O restante da trilha segue o mesmo caminho e proporciona bons momentos à produção, com destaque para a música inicial que consegue conduzir o espectador para dentro da história de uma maneira sutil, e para a música “All About That Bass“, da cantora Meghan Trainor, que toca na festa onde as quatro amigas se reúnem pela primeira vez na trama e dançam “a música delas”, trazendo para a trama o objetivo principal do filme, que é sempre mostrar que ser gorda não é nenhum mal para ninguém, mas também não é privilegio, ser gorda não faz de ninguém diferente.

“Gostosas, Lindas e Sexies” chega com uma proposta um tanto quanto diferente. Mesmo que caia em alguns clichês, consegue ser bastante divertido e vale o seu tempo no cinema.

Por Beatriz Bertolli Paulini

Crítica (2): Gostosas, Lindas e Sexies
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