De início é bom que se diga que “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” é um cinema melhor do que seu antecessor de 2011 – “Navegando em Águas Misteriosas” – mesmo que não traga algo novo para a franquia de longa duração, ou que faça muito para justificar sua existência.

É um filme de Piratas menos inchado e sinuoso do que os últimos foram, e tem mais coração do que “Navegando em Águas Misteriosas”. Mas tudo isso se torna uma espécie de condenação com elogios fracos, já que ele nunca consegue recapturar a magia que lançou esta série de filmes para alturas tão estratosféricas em 2003.

Jack Sparrow e os novos líderes do filme, o marinheiro Henry e a astrônoma Carina, se revezam na condução da trama, tornando difícil discernir a história de cada um. Todos os três, assim como o vilão capitão Salazar, procuram o Tridente de Poseidon cada um por suas próprias razões. Além disso, o capitão de Geoffrey Rush, Hector Barbossa, também está de volta ao mix em um papel crucial o suficiente para que suas escolhas afetem o enredo tanto quanto o trio principal. Então, novamente, quem está no comando deste navio?

Os motivos de Henry e Carina estão de acordo com as tradicionais histórias de amor até aventura: vingança e redenção, amor e maldições. Brenton Thwaites e Kaya Scodelario tentam desenvolver uma química entre os seus respectivos personagens e também com Jack, mas o romance se mostra forçado, não surtindo efeito sobre o público. Ele funciona como um complemento para uma história que funcionaria da mesma forma sem ele.

Salazar de Javier Bardem nunca ultrapassa a efêmera ameaça, não sendo tão terrível e impressionante como era de se esperar. Os digitais marinheiros fantasmas não trazem consigo concepção de perigo. Não ajuda o fato dos efeitos visuais do primeiro filme parecerem melhores que os desse, sendo que o primeiro foi lançado há quatorze anos. Também há pouco com que Bardem possa trabalhar, atando o vencedor do Oscar em um personagem que nunca recebe um momento verdadeiramente grande. O que sobra é a satisfação de ver um ator desse calibre em cena. E depois de testemunhar tantos inimigos sobrenaturais e criaturas do mar nos últimos quatro filmes, uma tripulação fantasma prova ser uma ameaça surpreendentemente fria e sem inspiração aqui.

A ação é constante, mas nunca de tirar o fôlego, assim como a tentativa de fazer piada, que trazem no máximo aquele sorrisinho de canto de boca. A ação é construída com a boa direção de Joachim Rønning e Espen Sandberg. Os seus cortes são rápidos, mas nunca deixam o espectador confuso com a Mise en scène. A construção de um filme de ação segue padrões já estabelecidos em Hollywood e os diretores os respeitam. Por isso, não espere grandes inovações em movimentação de câmera e em construção de planos. O que se vê é o básico plano/contra plano, planos gerais de batalha e os tradicionais close-ups para enfatizar emoção.

Até mesmo Jack está cansado agora (francamente está desde o segundo filme), pelo menos parece que Johnny Depp se esforçou um pouco para entregar mais do que o sonambulismo habitual do pirata. Ainda assim, é como ver uma banda de rock clássica realizar releituras sem a inspiração de seus maiores sucessos, com apenas lembretes passageiros da magia que fez você gostar de sua música para começar.

“Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” consegue ser mais redondo do que os três últimos filmes da franquia foram, mas ainda sofre muito com os mesmos vilões dramáticos e aborrecidos e com a ação e comédia genéricos. O maior mérito do filme é que ele entrega um encerramento aceitável para que a franquia dos piratas termine pelo menos com um sucesso de público. Isso se e a Disney decidir que realmente esta é a viagem final para o Capitão Jack Sparrow e seus companheiros. Provavelmente deveria.

Crítica (2): Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar
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