Quem pensa em Stephen King logo idealiza um mundo surreal, muita ficção e horror. E não seria diferente em relação ao aguardado filme “A Torre Negra” – baseado em sua famosa série de livros do mesmo nome – que chegou hoje aos cinemas brasileiros.

O filme conta a história de um garoto que tem sonhos estranhos com um pistoleiro e um homem de preto, e acredita serem reais. E a verdade, é que ele está certo e acaba descobrindo uma passagem entre dois mundos. Lá ele encontra o Pistoleiro, chamado Roland Deschain (Idris Elba), que corre o mundo em busca da mágica Torre Negra. No meio do caminho, eles se deparam com o poderoso Homem de Preto (Matthew McConaughey) que os leva a momentos intensos, confusões entre o real e o imaginário e uma perseguição com passagens entre mundos.

Com uma narrativa que traz uma mistureba de ficção com faroeste, fantasia e terror, a produção acaba tendo um pouco de tudo e muito de nada pois não chega em lugar algum. O roteiro feito a quatro mãos por Akiva Goldsman, Jeff Pinkner, Anders Thomas Jensen e Nikolaj Arcel tenta até desenvolver a história mas, na verdade, só nos mostra uma possibilidade de um futuro universo, uma vez que esse é o começo de uma nova franquia.

A direção de Nikolaj Arcel também deixa a desejar ao ponto de não aproveitar seus atores em cena, colocando-os como peças supérfluas dentro do filme, o que acontece não só com os personagens mas, também, com a importância de apresentar os locais, principalmente o Mundo-Médio. Tudo torna-se completamente subjetivo e para quem não leu os livros isso acaba sendo um problema, pois o diretor não constrói a história e acaba guardando pedaços de uma narrativa que não se encaixa perfeitamente.

Matthew McConaughey, como Homem de Preto, nos traz uma construção de personagem um tanto simples por culpa do roteiro evasivo e diálogos medianos. O ator com Oscar na bagagem por “Clube de Compras Dallas” entrega pouco de seu potencial com uma interpretação mal aproveitada. Tom Taylor, como Jake, não diz muito para o que veio. Reações que seriam necessárias de uma criança em determinados momentos, como se impressionar por descobrir um mundo novo, passam despercebidas. Mas ele compensa em algumas cenas de ação, como a que ele foge pulando pelos telhados – algo que você não imagina para uma criança. Já Idris Elba acaba se sobressaindo no meio de tudo, com as melhores cenas e emoções mais profundas, ele consegue passar as verdadeiras habilidades de um pistoleiro e, claro, para isso conta com a ajuda de alguns bons efeitos visuais que engrandecem sua personagem.

O filme, em si, não passa do grande clichê sobre a batalha entre o bem e o mal e com certeza não há nada de novo dentro desse “universo” que foi criado para “A Torre Negra”. Até os efeitos, em sua maioria, que de certa forma poderiam agregar a produção, nos decepcionam com imagens em CGI que até um leigo no assunto consegue notar a tamanha “falsidade”. A luta final entre o Pistoleiro e o Homem de Preto é a que mais se compromete nesse processo e que, por sinal, é bem fraquinha.

É triste ver uma produção, com um potencial desse, não conseguir passar algum sentimento para o espectador. Talvez os fãs do autor, ou até mesmo do livro, tenham uma visão diferente, porém para o cinema ainda não funcionou. “A Torre Negra”, apesar de ter muitos pontos fracos, pode vir ou não a ser algo interessante no futuro, mas isso só saberemos nas próximas produções, se existirem. Se isso acontecer, talvez, poderemos encaixar melhor os detalhes e, quem sabe, entender o motivo do primeiro filme ser tão superficial em relação a história original.

Crítica (2): A Torre Negra
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