Estreou nesse final de semana a montagem de A vida como ela é, de Nelson Rodrigues. Quem conhece o universo ‘Rodriguiano’ sabe o quanto ele é polêmico e ousado. E essa montagem provou isso.

Loucura, incesto, traição, pecado e desejos imorais são alguns dos temas abordados no espetáculo. A peça marca a estreia de Os 100 Talentos – Cia. de Teatro, fundada pelo diretor Cláudio Handrey e tem como foco viabilizar o estudo da obra de Nelson.

Nessa montagem, oito crônicas foram selecionadas pelo diretor. Em cena, 11 atores revivem histórias que giram em torno do adultério, do pecado, dos desejos e da moral. Algumas dessas histórias já foram reunidas em antologia sob o mesmo título e foram adaptadas para a televisão na década de 90.

A Vida Como Ela É… era o nome de uma coluna assinada pelo escritor e dramaturgo pernambucano Nelson Rodrigues no jornal “A Última Hora”. Ele escrevia crônicas diárias a partir da observação dos subúrbios cariocas e de casos que ouvira falar na infância. Os variados temas giravam em torno do dos já citados acima, pintando assim, um retrato da sociedade carioca.

A Cia. mostra para o publico um trabalho perfeito de estudo, com tons de comédia onde tem que ser, drama onde tem que estar e muito sarcasmo. Uma montagem muito bem feita.

A direção primorosa de Cláudio Handrey e a assistência de Rogério Fanju, optaram por cenas de nudez, mostrando as angustias em seus momento mais íntimos, que estava totalmente dentro do contexto de cena, sem constranger a plateia que, muitas vezes, ficam chocados com cenas desse tipo.

A platéia aplaudia ao final de cada esquete, exaltando as grandes interpretações dos atores envolvidos nas cenas. Podemos destacar o ator Leno Lopes, sempre seguro de seus personagens, com uma carga dramática nos momentos certos. O mesmo sempre envolvia a platéia, de maneira a sempre tê-la nas mãos.

A cenografia de Zanini de Zanine muito criativa, composta por uma mesa grande com algumas cadeiras, e um painel de fundo feito de cordas entrelaçadas. Essa mesa e cadeiras, viravam alguns dos cenários das esquetes, como a borda da piscina, uma cama, um escritório etc. No final do espetáculo, um foco de luz paira sobre uma máquina de escrever, mostrando toda a sensibilidade de quem conhece esse universo, emocionando os fãs de Nelson.

Saiba mais sobre a companhia acessando aqui.

Por André Lamare

Crítica: A Vida Como Ela É
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