Como se redimir e acertar o passo com uma sequência

Depois do sucesso de bilheteria do primeiro filme, que foi aceito pela maior parte do público e odiado pela crítica, os estúdios resolveram arriscar em uma sequência e trazer de volta a boneca mais assustadora do cinema.

Chegando hoje às telonas, “Annabelle – A criação do mal” é uma daquelas continuações que merecem ser valorizadas. Infinitas vezes superior ao seu original, o filme acerta em cheio em praticamente tudo e proporciona ao espectador uma experiência angustiante, com ótimos sustos e uma narrativa instigante.

Dessa vez o enredo aposta em uma história que relata o início de tudo, mostrando o sofrimento de uma família ao perder a única filha em um trágico acidente. O pai, um talentoso artesão de bonecas, e sua dedicada esposa decidem abrir as portas do lugar para receberem alguns desabrigados órfãos. Todavia, o lugar não é mais o mesmo e serve também como moradia para uma estranha presença capaz de tudo para conquistar o que deseja.

A produção traz novamente o ótimo James Wan como um dos principais nomes envolvidos, e corrige todos os erros existentes no primeiro filme. Os efeitos práticos continuam predominando em relação aos visuais e isso acaba deixando o filme ainda melhor e mais realista, principalmente quando encontramos algum erro em relação ao uso da tecnologia.

Gary Dauberman também volta para cuidar do roteiro, obtendo uma verdadeira ascensão se compararmos com o desastre que foi o script original. A qualidade de seu texto é notada desde o início, passando pelos detalhes que fazem uma diferença absurda ao longo da trama. Dessa vez, sua narrativa se desenrola no tempo certo, pontuando diálogos mais inteligentes e, o principal, personagens que valem a atenção. Dauberman opta por uma história mais jovem, interessante, na qual podemos notar traços de filmes como “Os Gonnies”, a série “Stranger Things” e particularidades importantes do intrigante universo estendido sobrenatural que vem sendo construído.

A direção afiada e repleta de movimentos de câmera, orquestrada por David F. Sandberg – o mesmo responsável por “Quando as luzes se apagam” – é um dos pontos fortes do filme. Juntamente com a fotografia de Maxime Alexandre (“A nona vida de Louis Drax”), Sandberg constrói uma atmosfera mais densa, objetiva, capaz de nos aproximar da situação vivida pelas personagens, nos fazendo sentir na pele seus medos e aflições.

A impecável direção de arte de Jason Garner (“Sobrenatural – A Origem”) deixa tudo ainda mais verdadeiro, através de cenários minuciosamente construídos para dialogar com a trama. A cada cômodo, temos algo que nos faz elevar as sobrancelhas e sentir o rápido palpitar do coração. Somado ao belíssimo figurino, desenvolvido por Leah Butler (“Nunca diga seu nome”), o design de produção torna-se ainda mais interessante.

O elenco, em sua maioria, funciona muito bem – com destaque para as crianças Lulu Wilson (“Ouija – A Origem do mal”) e Talitha Bateman (“A 5ª Onda”). As duas são o centro das atenções do filme e estão muito bem em suas cenas, dosando de forma correta diferentes emoções. Anthony LaPaglia, da série “Desaparecidos”, e Miranda Otto (“Flores Raras”), constroem personagens verossímeis e intrigantes. Stephanie Sigman, Samara Lee, Grace Fulton e Philippa Coulthard compõe o elenco principal com atuações significativas, mas que deixam a desejar em certos momentos. 

Com uma excelente trilha sonora, que ajuda a criar ainda mais tensão – composta por Benjamin Wallfisch (“Estrelas além do tempo”) – “Annabelle – A Criação do mal” aporta as salas de cinemas com o pé direito, conectando-se sabiamente aos filmes “Invocação do mal 1 e 2”.  Sem falar que deixa o seu antecessor no chinelo e nos leva a interessar ainda mais pelo um possível desenrolar da história da boneca. Vale a pena assistir, e se possível em 3D ou 4DX. Nesse último, a experiência pode ser ainda melhor.

Crítica: Annabelle 2 - A Criação do mal
8Valor Total
Produção8
Roteiro7.5
Direção8
Fotografia7.8
Direção de arte8
Figurino8
Trilha Sonora8
Elenco7
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