Crítica: As Confissões

O thriller do silêncio
 
As confissõesSe informação é poder, as vezes saber e observar em silencio é o melhor a se fazer. Se tratando de um padre, presente na reunião dos países mais desenvolvidos do mundo, o jogo de xadrez pode ser mais interessante, esteticamente bem feito e intrigante, principalmente quando envolve um assassinato. O italiano “As Confissões” (Le Confessioni) reúne tudo isso numa trama bem amarrada com um final “inesperado”.
 
O Presidente do Fundo Monetário Internacional, Daniel Roché (Daniel Auteuil), convida para a comemoração de seu aniversário e para uma reunião extraordinária, que pode mudar a economia mundial, os Ministros da Economia dos países mais ricos do mundo, o G7, e a Rússia, para um final de semana em um luxuoso hotel no interior da Alemanha. Mas além deles, também foram convidados uma escritora de livros infantis, Claire Seth (Connie Nielsen), um cantor popular (Johan Heldenbergh) e um padre com voto de silêncio, Roberto Salus (Toni Servillo). Após o encontro de todos os presentes no primeiro jantar, Roché convida Salus à sua suíte com o propósito de se confessar, mas no dia seguinte ele é encontrado morto, fazendo do padre o principal suspeito.
 
Se tratando de um filme italiano, o que quase sempre esperamos são diálogos longos, em torno de discussões existencialistas, políticos-sócio-econômicos e etc. Mas acontece basicamente o inesperado, e o voto de silencio do padre faz com que o roteiro, escrito por Angelo Pasquini e Roberto Andò, tome um tom subjetivo, a seguir com diálogos mais rotineiros e misteriosos, dando todo o clima thriller high society ao filme.
 
Foi desse ponto que Andò resolveu extrair sua direção, dando aos planos as próprias palavras e exemplificando expressões faciais e corporais como diálogo direto com o público. Usando de uma sobriedade absurda, os enquadramentos escolhidos são, em sua grande maioria, fixos, como uma representação da estagnação dos personagens e da situação econômica mundial que ali seria discutida.
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No elenco, temos rostos relativamente conhecidos do mercado mundial, e houve uma preocupação em convidar atores que realmente fossem do país para representá-los nessa reunião, tendo como exemplo o ator italiano Pierfrancesco Favino, como o Ministro Italiano, Marie-Josée Croze, atriz canadense, como a Ministra do Canadá e Richard Sammel, ator alemão, como o Ministro Alemão. Na obra, são eles que mais se destacam em segundo plano, pois Toni Servillo e Connie Nielsen são, sem dúvida alguma, os melhores atores do filme, tanto pela presença quanto pela dialética apresentada por eles em seus personagens. 

Além de um elenco de primeira e uma bela direção, parte do mérito do filme deve ir para a estonteante Direção de Fotografia, “nublada” e fria, de Maurizio Cavalesi, à Anca Rafan (Cenografia e Decoração), que conseguiu extrair autêntica beleza das ambientações praticamente vazias com muita classe, e à Nicola Piovani, responsável por uma das melhores Trilhas Sonoras dos últimos anos cinema italiano, que com maestria conseguiu se encaixar as composições musicais perfeitamente a proposta e dá uma potencializada na produção.

Como nem tudo é perfeito, mesmo com 100 minutos, Le Confissioni (título original em italiano) – possui problemas com o ritmo e pode parecer, para muitos, um filme um pouco cansativo. Ele apresenta o que se propões, super a expectativa em determinados pontos e se mantém silenciosamente encantador como o cinema italiano. Depois do divertido “Viva a Liberdade” Roberto Andò faz outro acerto para sua filmografia.

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