Crítica: Assassin’s Creed

A franquia de games Assassin’s Creed deu à sua produtora Ubisoft uma infindável fonte de renda, com suas várias versões lançadas para todos os consoles de antiga e nova geração e uma própria para celulares. Um dado de 2014, divulgado pela produtora, dizia que o game havia vendido mais de 74 milhões de cópias, entre downloads e mídias físicas.  Em 2017, esses números devem ter, no mínimo, dobrado.

Quem conhece a trajetória de Assassin’s Creed nos vídeo games sabe que o primeiro game da franquia trouxe novidades em relação à jogabilidade, além de contar com uma história que misturava ficção cientifica e fantasia, mas que ele apresentava problemas no desenvolvimento, fazendo o jogador cansar em vários momentos, por causa da repetição e também por bugs na própria jogabilidade revolucionária. Já o segundo game foi desenvolvido com mais esmero, angariando sucesso de público e crítica, sendo seguido por outros tão bons quanto, como por alguns a baixo da média.

Com todo esse potencial mercadológico, não é surpresa que uma adaptação fosse produzida para o cinema, já que Hollywood vê com “olhos de cifrões” o mercado milionário dos games. Quando a mesma foi anunciada, os fãs foram tranquilizados ao saberem que a própria Ubisoft iria cuidar, não só da produção mas também de todo processo criativo. Além disso o filme conta com um elenco de peso, encabeçados por Michael Fassbender e Marion Cotillard.

Para quem nunca colocou as mãos em um controle de vídeo game ou mesmo não se importa com o mercado de games, eis a história de Assassin’s Creed: Callum Lynch (Michael Fassbender) descobre que é descendente de um membro da ordem dos assassinos e, via memória genética, revive as aventuras do guerreiro Aguilar, seu ancestral espanhol do século XV. Dotado de novos conhecimentos e habilidades, ele volta no tempo pronto para enfrentar os templários, os maiores inimigos dos assassinos.  A luta é por um artefato que pode acabar com o livre arbítrio do ser humano.

A produção chega para ser o grande blockbuster do início de ano mas, assim como o primeiro game, escorrega em suas próprias pretensões.  Ao começar pelo fato de que nunca nos importamos com os problemas de Callum Lynch ou com as divagações existenciais da doutora vivida por Marion Cotillard – talvez por causa das atuações unidimensionais dos dois atores, que parecem estar no automático.

Também há o problema das cenas de ação que, apesar de belas, abafam o enredo e nos fazem esquecer do motivo das batalhas em vários momentos, tornando-as genéricas, dignas de mais um filme de verão vindo dos EUA.

A história rasa e os personagens desinteressantes transformam Assassin’s Creed em mais uma franquia baseada em games que tende a não dar certo, seguindo os passos de outras tentativas fracassadas como, para citar os mais recentes, Need for Speed e WarCraft. Posso estar errado e a inevitável sequência se transformar em um grande filme, assim como foi com o segundo jogo, mas isso, só o tempo dirá!

Crítica: Assassin's Creed
5Pontuação geral
Votação do leitor 1 Voto
10.0