Crítica: Através Da Sombra

Casas antigas, do tempo Império, são sempre portadoras de grandes histórias sobre elas. Muitas sempre envolvem lendas, coisas misteriosas e inexplicáveis que acrescentam um certo charme e um suspense inexplicável. É a partir daí que nasce a atmosfera sombria que acompanha Através da Sombra.

Laura é uma mulher que cresceu em um convento e se tornou professora muito jovem. Sempre deu aula para crianças e isso meio que norteou seu caminho. Depois da recente perda de sua mãe, ela acaba aceitando ser professora da sobrinha de um rico empresário, mas não sabe nada do lugar para onde esta indo.

A fazenda é uma bonita construção muito antiga, vive do café, mas esta passando pela crise que assola a sociedade brasileira da década de 30. Laura percebe logo que há algo de incomum na casa, nos arredores, e logo que chega o irmão de sua aluna, a quem passa dar aula também,  se da conta que há muitas coisas escondidas em cada canto sombrio daquele lugar, mas não sabe ao certo o que esta vendo e o que não está.O roteiro é baseado livremente em um conto inglês de terror chamado “A Volta Do Parafuso”, de Henry James, adaptado para realidade brasileira de 1930. Adaptar tudo para esse momento foi um trabalho, acredito eu, gigantesco. Só que há um porém: a adaptação faz uso de uma linguagem muito informal que não era usada na época. Há alguns palavrões gritados no filme que nem sequer existiam. Faltou um cuidado maior ao se colocar a língua portuguesa desse período no filme.

Apesar de ser um filme visto pelos olhos da personagem de Virgínia Cavendish, ele acontece por causa dos personagens de Mel Maia e Xande Valois. É uma responsabilidade muito grande colocar tanta atenção em duas pessoas tão jovens. Mel faz um trabalho adequado e vem construindo uma carreira como atriz muito favorável a ela. Xande derrapa em alguns momentos, mas nem tanto por não poder fazer e sim por não ter conhecimento de como fazer. Em outras palavras, ainda é um ator muito jovem, muito ingênuo, para o que o personagem que estava fazendo necessitava. Virgínia tem uma atuação correta, porém mediana.

A locação é especialmente linda. A fazenda nos transporta para um lugar mágico, com uma beleza única, rara nos dias de hoje. A fotografia faz um bom trabalho, mostrando a paisagem, descobrindo bons enquadramentos da casa, usando o que se vê a seu favor. Ao mesmo tempo não há como disfarçar algumas obviedades: a luz de baixo para cima para criar a sensação de fantasmas, algumas cenas com filtro mais escuro para melhorar o clima e, assim, criar o suspense e alguns outros clichês de filmes que assustam.

Walter Lima Jr. entrega um filme corajoso, arriscado, mas irregular. Há mérito em sua direção, ele busca inovar, sair da mesmice e faz desse ponto um bom momento para o cinema nacional.

Em tempo, o filme traz uma das ultima aparições de Domingos Montagner no cinema.

Através da Sombra estreia dia 10 de novembro em todo Brasil.

Crítica: Através Da Sombra
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