Crítica: “Bibi Ferreira – uma vida em musical”

Tendo o Circo Queirolo (Carlos Queirolo, o Palhaço Chicharrão, era tio-avô de Bibi) como plano de fundo, “Bibi Ferreira – uma vida em musical” traz “de volta” uma das grandes damas do teatro brasileiro de forma leve e divertida, mas ao mesmo tempo, mostrando os altos e baixos da vida pessoal da atriz.

Foi maravilhoso poder ver teatro vivo acontecendo, mais uma vez, em um espetáculo musical. Apesar de grandioso e cheio de efeitos, buscando “padrões Broadway” de musicais, o espetáculo surpreende por não ser apenas mais um show de efeitos e pela incrível direção de atores realizada por Tadeu Aguiar que torna cada personagem que adentra a história desse ícone do nosso teatro, críveis e palpáveis.

Destacamos a dramaturgia inédita de Artur Xexéo e Luanna Guimarãeso que conseguem trazer à luz, para quem conhece e também para quem não acompanhou tão de perto assim a carreira de Bibi, o porquê dela ter se tornado tão importante para o cenário cultural brasileiro. Diferente também de outros musicais biográficos, este consegue entreter e, de fato, homenagear a trajetória da artista que dá nome ao espetáculo. Uma história bem narrada costurada por 3 personagens maravilhosos e muito bem interpretados pelos atores Leo Bahia (de “O Mambembe”), Rosana Penna (de “Nuvem de Lágrimas – O Musical”) e Flavia Santana (de “Zeca Pagodinho – Uma História de Amor ao Samba”). Os três personagens se apresentam em momentos chave e trazem um alívio cômico para momentos mais dramáticos da vida de Bibi.

O elenco de 19 atores vem com um trabalho impecável de corpo, voz e interpretação que faz as quase 3 horas de espetáculo passarem despercebidas e impressiona o público tanto pela história quanto pelas performances apresentadas por cada um. O trabalho de direção de Tadeu Aguiar impressiona, pois consegue levar para o palco personagens bem delineados. Além disso, ressaltamos o trabalho de contra regragem realizada também por estes mesmo atores, que acaba sendo um espetáculo à parte e bonito de se ver.

Ressaltamos ainda o trabalho de Amanda Costa que brilha no papel principal e consegue encarnar Bibi Ferreira com uma verdade e riqueza de detalhes físicos e vocais impressionantes. Essa veterana que, como a própria personagem que interpreta, começou a carreira artística bem cedo, encanta, envolve, faz rir e tira o fôlego do espectador desde a sua primeira aparição em cena. Uma interpretação primorosa e digna de todos os aplausos.

Chamamos ainda a atenção ao trabalho artístico de Luísa Vianna como assistente/anjo da guarda de Bibi que consegue arrancar risadas do publico, mesmo e principalmente, quando não consegue falar e ainda, da atriz Bel Lima que, no papel de Maria Bethânia na juventude, faz rir pelos trejeitos acentuados trazidos em cena.

A direção musical de Tony Lucchesi embala a todos com belos arranjos nas canções originais de Thereza Tinoco e também nos sucessos do repertório da artista, como nas músicas de “My Fair Lady”, “O Homem de La Mancha”, “Alô, Dolly!” e “Gota D’ Água”, que ajudam a narrar os 95 anos de vida e 76 de carreira de Bibi.

O desenho de luz criado por Rogerio Wiltgen nos envolve e proporciona diferentes atmosferas às cenas da vida da artista. Casando perfeitamente com os figurinos criados por Ney Madeira e Dani Vidal que conduz a plateia pelas épocas vividas por esse ícone.

O cenário proposto por Natalia Lana compõe a ambientação alternando lindamente entre o circo que vem contar a história da artista e a vida encenada dela. Trabalha planos, alturas, pinturas e elementos realistas que engrandecem essa história.

O espetáculo é um presente de alta qualidade em tempos de musicais puramente comerciais e que encantam pela grandiosidade, porém deixam a desejar seja na dramaturgia, na utilização do material humano e artístico ou, em caso de musicais biográficos, na homenagem ao artista em questão. Um musical que merece ser prestigiado e deveria ganhar uma temporada com preço popular para que fosse assistido pelo maior número de pessoas possível.

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