Crítica: Blockbuster

De uns tempos para cá, a Netflix tem tentado criar um sólido catálogo de produções próprias. Tal fato é consequência da ideia recente de que outras grandes empresas também venham a criar serviços de streaming próprios, o que prejudicaria o até então maior nome do ramo. É claro que a Netflix é mundialmente conhecida por suas séries, tanto as que cria quanto as que compra e passa a gerenciar sua produção, mas os filmes começaram a aparecer como importante aposta do serviço. Interessante é que há uma grande variedade de produtos criados em países diferentes, e não apenas nos Estados Unidos. Filmes europeus e asiáticos têm seu espaço, trazendo uma interessante diversidade para essa nova leva de longas-metragens.

“Blockbuster” é uma comédia romântica francesa, que nos traz uma história muito contemporânea. Lola e Jéremy são um casal que passa a fazer vídeos amadores de seu cotidiano para poder alegrar o pai do rapaz, que tinha câncer em estado já terminal. Um não pode ver o que o outro grava e isso trará fortes consequências para ambos. Tendo terminado a relação, caberá a Jéremy correr atrás de sua amada. É claro que isso cai em uma série de clichês do gênero e não é um roteiro brilhante, mas ele funciona bem no que pretende. Existe uma cena, no fim, particularmente singela. Os realizadores entendem que diálogos expositivos não eram necessários, e portanto deixam tudo subentendido. No lugar de alguma fala, sons caóticos representando o interior da mente dos protagonistas é posto. Ainda que seja um roteiro comum, esse tipo de momento o valoriza.

A forma com que a narrativa é contada conta com alguma originalidade, que apela para uma linguagem audiovisual repleta de conteúdo que se assemelha a vídeos produzidos para a internet, coisa mais imaginativa e informal. Isso dialoga e vai de encontro a um dos pontos mais curiosos da obra, que trata da relação dos protagonistas com aquilo que eles produzem de forma amadora. Às vezes, é algo que extrapola eles próprios e é usada com caráter surreal dentro de outras sequências do longa, o que é bastante interessante. Para além disso, essa decisão traz forte semelhança com o que encontramos em nosso mundo de hoje, seja pelas redes sociais ou pelo YouTube. Parece ainda que tais paralelos não são ao acaso, aferindo valor ao filme que escapa uma comédia romântica mais tradicional.

O aspecto técnico de “Blockbuster” procura se aproximar de um filme para a televisão ou mesmo de uma produção para a Internet. Seja por opção criativa ou por falta de orçamento, isso casa com os temas que são abordados e com a história que é contata, além do seu apelo pela atualidade. A direção sempre coloca a câmera perto dos personagens, porque é neles que temos o foco de tudo, normalmente pegando da cintura para cima dos atores. Não é estranho vermos proximidade entre os indivíduos em cena também, o que sugere um apelo mais humano, quente no que diz respeito à interação entre eles.

Enquanto isso, a direção de arte consegue ser encantadoramente verdadeira. Lola é fã de quadrinhos e isso tem papel relevante na trama, fazendo com que a todo momento vejamos referências a isso, em todo lugar. No entanto, não são vazias, mas altamente reais e nem é preciso conhecer o mundo das histórias em quadrinhos para notar isso. Não é exatamente uma direção de arte sofisticada, mas consegue ser eficaz com simplicidade, tarefa que não é fácil.

“Blockbuster”, ainda assim, tem problemas consideráveis. A falta de uma história mais envolvente e que traga mais o espectador para dentro de tela é perceptível, tanto quanto alguns momentos mais bregas, clichês. De toda forma, passa longe de ser uma bomba e firma-se como uma descontraída comédia-romântica de curta duração.

 

Crítica: Blockbuster
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