Paul Schrader desenvolveu sua carreira tanto como diretor, quanto como roteirista. Em ambas as funções tem algumas boas referências, como “Taxi Driver” (1976 – roteiro) e “O Gigolô Americano” (1980 – direção). Ele inclusive já teve um filme estrelado por Nicolas Cage, em 1999, chamado “Vivendo no Limite”. Apesar disso, escreveu e dirigiu muitos filmes menores, sobretudo no gênero Terror, nos quais não foi tão bem sucedido. Após alguns anos afastado das câmeras, Schrader retorna com o violento “Cães Selvagens”, baseado no livro homônimo de Eddie Bunker.

O longa conta a história de três homens que se conheceram na prisão em diferentes momentos de suas vidas e agora se encontram em liberdade. Entre boates e escritórios de chefões do crime, os três chegam à conclusão de que não conseguirão sobreviver de trocados ganhos em pequenos trabalhos eventuais. Apesar do medo em voltarem para a prisão, decidem participar de golpe que lhes renderá dinheiro suficiente para suas “aposentadorias” longe da Los Angeles onde vivem.

Troy (Nicolas Cage) é o mais consciente do grupo. Estável e inteligente, ele coordena as negociações e conduz os planos do bando. Diesel (Christopher Matthew Cook) é um tanto instável emocionalmente, mas, eficaz em seguir as ordens de Troy e fazer os planos funcionarem. Mad Dog (Willem Dafoe), como o nome sugere, é o animal desequilibrado e completamente estereotipado. Esse trio nada normal finalmente consegue um trabalho para o criminoso mexicano Chepe (Reynaldo Gallegos), em que terão de sequestrar um bebê para pedir resgate ao pai que deve dinheiro à máfia local.

Esse storyline é mais do que recorrente e já rendeu tanto boas produções, quanto bombas homéricas, mas até aqui nada de mais. Afinal, existem temas que sempre serão bastante explorados. O problema está na proposta que o filme coloca para discorrer a trama. O que era para ser nonsense ficou totalmente sem sentido.

A Direção de Fotografia tem ótimas sacadas de enquadramentos e luzes muito bem montadas, tudo sem uma função narrativa. A Trilha Sonora optou por canções inusitadas e interessantes, mas ficaram descoladas do que acontece na tela. A tentativa de diálogos banais em meio a cenas de violência (algo que Quentin Tarantino usa com maestria), simplesmente não funciona. As cenas de sexo e violência são enxertadas sem nenhuma relação com a história. O roteiro tem plot twists criativos, porém, na sequência não dão em nada. Os personagens têm potencial, mas ficaram vazios e superficiais. Enfim, o filme todo soa como uma colcha de retalhos de bons elementos, que juntos não compõe uma unidade.

Como citado antes, o tema “ladrões profissionais que pretendem aplicar seu último golpe” é recorrente, entretanto conta com um público que gosta desse tipo de ação misturado com doses de violência. O problema em “Cães Selvagens” é que ele também foge ao gênero de ação. Talvez a proposta de Paul Schrader, tenha sido justamente reinventar e dar uma nova roupagem a esse tema usando elementos nonsense. Existem bons filmes por aí com essa proposta, sobretudo do já mencionado Tarantino. Mas, aqui nesse caso, infelizmente, faltaram elementos narrativos para colar os recursos utilizados.

Crítica: Cães Selvagens
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