“Manual completo, ilustrado, revisado e não recomendado para estudantes”. Assim está escrito na capa do livro de Danilo Gentilli “Como Ser o Pior aluno da Escola”, que deu origem ao filme homônimo roteirizado pelo próprio Gentilli e por Fabrício Bittar, diretor do longa.

O filme conta a história de Pedro (Daniel Pimentel) e Bernardo (Bruno Munhoz), dois estudantes que, em meio a pressão para tirar boas notas, ter um bom comportamento e cumprir todas as normas da escola, acabam encontrando um caderno com anotações ensinando a quebrar todas as regras sem ser pego, e tentam seguir as dicas ali escritas, iniciando uma saga de descobertas, busca pela diversão e confusões do início ao fim.

Por falar em descobertas, o caderno é encontrado dentro de uma caixa que irá despertar curiosidade na geração atual e nostalgia nas gerações mais velhas. Quem cresceu nos anos 80 e 90 irá identificar facilmente vários objetos encontrados naquela caixa, como uma embalagem de cigarrinhos de chocolate, um walkman, sem falar na própria caixa, do tênis kichute.

Estreia de Fabrício Bittar na direção, a comédia traz doses de humor em vários níveis. Há aquelas piadas conhecidas como “nível quinta série”, as feitas para se pensar, umas nem tão necessárias assim, outras abordando assuntos sérios através do humor e algumas feitas para quem pegar as referências.

Quem esperava o Danillo Gentilli sendo ele mesmo pode até estar certo, porém, isso não é necessariamente ruim. Ele cumpre seu papel de forma precisa para conduzir a história e seu filme traz um tema bastante visto no cinema com muita originalidade. Existem diversos elementos que causam uma boa surpresa e, mesmo quem não é muito fã do comediante pode gostar do filme, que ainda conta com grandes nomes da atuação, como Carlos Villagrán, o eterno e amado Quico (esse mesmo o lendário personagem do seriado mexicano Chaves) na pele do diretor Ademar. Outros dois nomes de peso que não podem deixar de ser destacados são Moacyr Franco, um veterano da comédia brasileira (impossível não rir quando ele entra em cena) e Joana Fomm, que foram ótimas escolhas para os seus respectivos papéis.

Voltando a falar de Carlos Villagrán, o ator mexicano entra na pele do antagonista e, apesar de suas falas não serem totalmente compreensíveis devido à sua tentativa de falar portunhol (embora deva-se reconhecer o esforço, o ator teve 4 meses de aula de português), surpreende ao trazer um personagem diferente daquele clássico menino rico da vila (apesar de aparecerem ótimas referências em determinados momentos) e cumpre muito bem o seu papel e garante as gargalhadas do público.

A atuação dos dois garotos que vivem os estudantes aventureiros também não pode deixar de ser mencionada. Os adolescentes não deixam nem um pouco a desejar e garantem tantas risadas quanto os veteranos.

Mesmo com orçamento limitado (segundo os próprios roteiristas), o filme apresenta boa fotografia, edição, figurino e ambientação, maquiagem, uma trilha sonora que te faz embarcar no ritmo da história junto com a narração do protagonista. E ainda traz uma cena inesperada mais para o final, ao mesmo tempo divertida e de tirar o fôlego, que apesar de acontecer de modo surreal, está bem de acordo com a nossa realidade se formos olhar os noticiários.

Com piadas escrachadas, o longa apresenta vários trechos polêmicos, como a forma de falar sobre o bullying e as diversas situações em que os personagens aparecem, tendo a idade que têm. Com certeza irá dividir opiniões. O curioso é que o filme possui classificação indicativa para maiores de 14 anos, sendo que o livro foi proibido para menores de 18.

O elenco também conta com Raul Gazola, Rogério Skylab e a participação de Fábio Porchat.

Crítica: Como se tornar o pior aluno da escola
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