Crítica: Correndo Atrás De Um Pai

De vez em quando alguns lançamentos que chegam aos cinemas dão impressão de que as produtoras entraram em piloto automático, já que a falta de inspiração é visível no produto final. O mais recente desses filmes é a nova comédia Correndo Atrás De Um Pai, dirigida por Lawrence Sher, o diretor de fotografia da franquia “Se Beber Não Case”. Com um elenco repleto de nomes de peso como Owen Wilson, Glenn Close e J.K. Simmons, o longa tenta misturar humor com uma história de drama familiar.

O enredo é sobre os irmãos Kyle (Owen Wilson) e Peter (Ed Helms), que descobrem que sua mãe (Glenn Close), que os criou sozinha, sempre mentiu sobre a verdadeira identidade de seu pai, e que, na realidade, ela não sabe quem ele é. Os dois, que ficaram anos sem se falar, decidem fazer uma viagem para seguir as pistas e descobrir a verdade, ao mesmo tempo em que tentam superar os seus conflitos e reatar a sua amizade.

Enquanto essa premissa não é original, ela poderia ser realizada com um roteiro bom e diferenciado, o que, infelizmente, não é o caso desse filme. O principal ponto negativo do longa é o humor, ou mais precisamente, a falta dele, já que todas as tentativas de comédia são piadas óbvias, constrangedoras – como a cena que Kyle e uma criança fazem xixi um no outro em um banheiro público – ou apenas sem graça.

O roteiro também é bem irregular em outros aspectos, como seus diálogos expositivos que apenas explicam as relações familiares, sem sutileza nenhuma, no começo e de novo ao fim do filme. Os personagens também não são muito bem desenvolvidos e muitas de suas ações parecem não ter motivo, sendo apenas tentativas de uma situação cômica, como quando Peter aleatoriamente admite que usou óculos por vinte anos sem precisar, ou um dos possíveis pais da dupla ignorar o irmão interpretado por Owen Wilson sem nenhuma razão aparente.

São tantas as cenas arrastadas com diálogos redundantes, quase sempre levando a piadas previsíveis, que a impressão que fica é de que deixaram os atores improvisarem suas falas, o que só é agravado pelas atuações fracas. Enquanto Owen Wilson interpreta a si mesmo, Ed Helms parece estar toda a produção tentando fazer a sua melhor imitação de Ben Stiller. Já o elenco de apoio é um dos maiores exemplos de desperdício de talento em um longa-metragem recente.

A única pessoa que parece estar realmente interessada no filme é J.K. Simmons, que interpreta um dos possíveis pais que é um criminoso com uma personalidade explosiva. De resto, Ving Rhames – que está no pôster – tem menos de cinco minutos de cena, Christopher Walken parece que está lendo suas deixas diretamente de uma cartela ao lado da câmera e diversos comediantes são desperdiçados em papeis pequenos com um punhado de falas.

Já a direção de Sher é tão mecânica que parece que foi realizada por um logaritmo de computador. Com uma duração de um pouco mais de duas horas, é garantido que até o fim do longa qualquer telespectador já esteja saturado de sequências de viagem de carro em planos gerais com uma música pop tocando ao fundo. O único momento interessante é o modo como a personalidade mais reclusa e melancólica de Peter é estabelecida com um close-up, enquanto ele assiste “Law & Order” e vocifera o monólogo de abertura junto com a série.

Além disso, o diretor também deixa conflitante seus momentos de drama com a adição de figuras cômicas como o personagem de Katt Williams, que apenas distraem do objetivo principal da cena. A mensagem inspiradora que o roteiro tenta passar no final é igualmente forçada, talvez para tentar iludir o telespectador desavisado de que esse filme tem um significado.

Parece que o objetivo da produção era simular uma situação como a de “Se Beber Não Case”, na qual os personagens seguem pistas que os levam em uma sequência de acontecimentos bizarros, mas enquanto a sua inspiração se mostra cativante, carismática e engraçada, “Correndo Atrás De Um Pai” é apenas um drama sem emoção e uma comédia sem graça.

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