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2004, um brasileiro é preso em Jacarta, capital da Indonésia, com 13,4 quilos de cocaína escondidos dentro de um tubo de asa-delta, começava aí o interesse pela história de Marco Archer, o Curumim.

Nascido em família de classe média alta da zona sul do Rio de Janeiro, Curumim, era amigo e “pegava onda” ao lado de conhecidos nomes do Surf de Ipanema das décadas de 70 e 80, como Rico de Souza e Daniel Sabbá. Se tornou instrutor de asa-delta e começou a viajar pelo mundo, até se deparar com o que viria a mudar completamente seu estilo de vida.

No documentário dirigido por Marcos Prado, conhecido por filmes como “Estamira” (2004), “Paraísos artificiais” (2012) e por ter produzido os dois “Tropa de elite” (2007 e 2010), o diretor continua na linha de contar histórias que mercerem reflexão. Prado foi convidado pelo próprio Curumim para contar sua história, depois de ter seu pedido de clemência negado pela justiça Indonésia, começando então a se preocupar com sua possível execução.

O profissional optou por enfatizar temas que chamam a atenção de quem assiste, e cumpre seu papel de levar à reflexão. A questão de pessoas serem condenadas à morte por traficar drogas, mas conviverem com elas livremente dentro do próprio presídio, onde os carcereiros oferecem aos presos, é uma delas. Fica evidente também a força da corrupção que existe no país, sendo considerada no documentário, muito pior que a existente no Brasil. Outra questão bastante polêmica retratada é o que seria o certo e o errado. Será que alguém tem o direito de decidir se outra pessoa deve ou não continuar vivendo? Tirar a vida de alguém é diminuir a violência? Essa seria a maneira eficaz de acabar com as drogas? São alguns dos pontos deixados em evidência, mas que não se referem apenas a uma pessoa, no caso Curumim, e sim ao sistema da Indonésia.15065107_1691014417894695_28913903_oCom depoimentos de amigos, (inclusive os que ficaram presos juntos com Curumim, mas conseguiram ser soltos), fotografias e imagens de sua juventude, conversas gravadas por telefone entre Prado e Curumim durante três anos, o documentário ainda conta com filmagens feitas clandestinamente de dentro do presídio de “segurança máxima”, retratando o dia-a-dia de um lugar um tanto quanto controverso.

Ao assistir “Curumim”, vemos uma pessoa extrovertida e carismática se degradar durante os onze anos em que ficou preso. Mas o documentário também é eficaz em ressaltar que a vida boa, a diversão que veio com as drogas foi o que o levou aquele estado. Em vídeo gravado pelo próprio brasileiro condenado a pena de morte, dentro do presídio, Curumim relata a vontade de fazer o filme para além de contar sua história, servir de alerta aos jovens, para que não terminem como ele.

O documentário poderia ser melhor se não pecasse em algumas partes, como por exemplo em cenas longas com pouco conteúdo gravadas por Curumim, como a que ele apenas ouve música e canta algumas partes e em diálogos com outros presos em língua indonésia que não possuem legenda alguma. Por fim, o longa não cultua Curumim como um bandido, mas deixa claro, em depoimento próprio, que ele foi sim um traficante. A imagem passada é de um garoto boa vida, conhecido e adorado por todos, que não precisava fazer esforço para se relacionar, mas que escolheu o caminho errado, seja por falta de estrutura familiar, seja por vaidade, e, que no fim, pagou caro por seu crime.

“Curumim” estreou dia 3 de novembro nos cinemas de todo Brasil.

Por Bruna Tinoco

Crítica: Curumim
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