Crítica: Disjointed – Parte 2

Na primeira parte da história de Ruth (Kathy Bates) os roteiristas não se aproximaram em nenhum tema que realmente quebrasse com o esteriótipo da maconha e de seus usuários. Agora, a segunda parte de “Disjointed” assume um novo ritmo em seus episódios e chega com argumentos mais fortes para falar da legalização da maconha, sem deixar a comédia, marca registrada do criador Chuck Lorre.

No final da primeira parte, as constantes denúncias feitas à “Ruth’s Alternative Caring” levam o DEA a visitar a loja de uma maneira desagradável, levando todos os produtos, o dinheiro e as plantações. Mas, a ativista Ruth conseguiu se reerguer com a ajuda de seu time, que está mais forte do que nunca: Travis (Aaron Moten), Carter (Tone Bell), Olivia (Elizabeth Alderfer), Jenny (Elizabeth Ho) e Pete (Dougie Baldwin).

Nessa segunda parte parece que a proposta da série mudou e se torna mais séria ao desmistificar o tabu que cerca a maconha. Anteriormente, muito se focou no esteriótipo do usuário como a pessoa que ficava preguiçosa e esquecida. Agora, um dos grandes focos foi mostrar alguns dos benefícios da planta, entre eles ajudar com traumas, como no caso de Carter que tinha várias sequelas psicológicas depois de ter ido pra guerra.

Os personagens, que no começo pareciam sem rumo, agora, começam a se encaixar mais na trama. Olivia, com o sucesso de seus biscoitos em formato de fezes, os “Olivia’s Shitballs, é quem tem maior destaque nesse momento, chegando a brevemente se afastar do grupo principal pra seguir com suas vendas. Outro ponto interessante é ver a aproximação de Tae Kwon Doug com o pessoal da loja, sem deixar de lado sua posição contra a legalização da maconha, mas mostrando que por ter uma afinidade maior com Pete, ao ponto de considerá-lo um filho, entende que precisa respeitar as escolhas de seus amigos se quiser mantê-lo por perto.

Um dos grandes truques de “Disjointed”, que não foi deixado de lado nessa segunda parte, foi continuar mantendo a série somente para o público usuário. Mas, os roteiristas conseguiram explorar muito bem nos personagens as características que criam uma representatividade com o público. Um exemplo é Maria, personagem de Nicolle Sullivan. Maria é uma mãe e dona de casa cansada da rotina familiar, do marido e dos filhos. A recomendação médica é para “relaxar”, fazendo uso de maconha medicinal, e assim ela procura a loja de Ruth. Maria, que de início parecia apenas perdida e desesperada pra fugir de sua vida, se torna outra nesses novos episódios, chegando a ajudar o pessoal na loja e dar bons conselhos à Pete e Ruth. A mudança da personagem, que vive uma situação incômoda depois, é fácil de ser notada.

Algo que não passa despercebido na série é a parte artística que vai desde animações que representam as “viagens” dos personagens, a comerciais favoráveis a legalização e bonecos de massinha. Os números musicais também impressionam pela comédia e pela qualidade, são todos bem coreografados e canções em séries de comédia nunca são demais.

Apesar de dar mais ênfase a legalização, a trama procura discernir o certo do errado e mostra Dunk (Chris Redd) e Dabby (Betsy Sodaro) sendo presos por fumar em uma área florestal, onde a legalização ainda não havia ocorrido. Então, defendendo seu principal argumento, a série procura também mostrar que apesar do assunto já ser amplamente discutido, não é em todo lugar que é aceito o consumo e plantio e, também, abre margem para que o público discuta sobre a constante perseguição de policiais contra usuários de maconha.

A única coisa que “Disjointed” parece errar é na quantidade de “bizarrices”. O que começou com uma “Deusa da Maconha” que amaldiçoou Pete e suas plantações, vira um robô controlador, tirano e espião. Muitas vezes a série surge com essas pequenas fantasias e acaba fugindo do ritmo da narrativa, mesmo que sejam apenas ilusões criadas na cabeça de Pete. Ao mesmo tempo, colocar novos personagens para diversificar um pouco é algo que a trama oferece com gosto. Walter, personagem do ator Peter Riegert, que entra na história inicialmente como um interesse amoroso para a protagonista, é uma dessas somas, mesmo com a triste notícia de que ele possui câncer e pouco tempo de vida.

No mais, a trama ainda se mostrou fechada somente para o público alvo – e isso não é um problema, pois as piadas continuam ótimas e as risadas são garantidas. O final da segunda parte abriu margem para dois caminhos em uma próxima temporada: o primeiro com um salto de seis meses, o tempo estimado de vida de Walter e o quanto duraria a viagem realizada por ele e Ruth ou, como o restante do elenco levaria a loja sem a experiência e ativismo da matriarca. Como ainda não há rumores de uma segunda temporada, resta esperar para ver como será o destino da “Ruth’s Alternative Caring”, mas vale o prestígio dos episódios para quem faz uso e quem não faz. No final o que importa é fazer rir e a série consegue garantir isso.

“Disjointed” é uma série de vinte episódios e todos estão disponíveis na netflix. 

Crítica: Disjointed - Parte 2
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