Crítica: Em Busca de Fellini

O cinema é, talvez, o ofício que mais se pode misturar artes. Pode-se falar sobre Pintura, Teatro, TV, Poesia, Literatura e todo o universo inimaginável que envolve o mundo lírico, talvez até mesmo utópico. Mas, isso não quer dizer que todo mundo que vê poesia, saiba reconhecê-la, fazê-la ou até mesmo produzi-la. O filme “Em Busca de Fellini” prova esse pensamento.

Lucy é uma jovem de 20 anos que sempre viveu super protegida debaixo das asas da própria mãe, uma mulher sonhadora que descobriu um câncer em estágio já avançado. Em um dado momento, quando tenta se libertar e criar alguma independência, a garota acaba descobrindo os filmes de Federico Fellini, famoso diretor italiano que ficou conhecido por trabalhar magia e realidade de uma maneira profunda e visceral.

Apaixonada pelo que via do diretor Lucy parte para Itália, sem saber do verdadeiro estado de saúde da própria mãe, e acaba perdida no país, visitando várias cidades antes de conseguir chegar ao seu destino, conhecendo pessoas importantes que fazem com que ela cresça em pouco tempo tudo que não havia crescido em 20 anos.

Há muitos filmes no mundo trabalhando o universo dos sonhos, esse que Fellini mergulhou e era mestre em produzir. Mas, isso é algo complicado. Poesia e magia são coisas muito abstratas para se mostrar, e se a produção divide-se entre o mergulho na fantasia sem qualquer cuidado e a falta de objetivo, o resultado será incapaz de atingir profundidade. Não é porque uma pessoa pode ver os filmes de Fellini e se encantar por eles e pelo seu universo, que terá capacidade de usá-los, de perpetuá-los. Nem todo mundo que conhece a fantasia é tocada por ela, mais ainda, poucos que conhecem a utopia são transformados visceralmente. As pessoas veem e entendem, querendo ser parte, mas sem absorvê-las.

O roteiro mistura-se entre as frases do diretor italiano, filmes antigos e o mundo mágico de “Alice No País das Maravilhas”, e a protagonista parece ser uma co-criação de tudo isso. É de se imaginar como uma garota de 20 anos, que nunca trabalhou, com uma mãe que também parece não ter emprego, uma tia infeliz (que é quem começa a narrar a história para logo ficar sem função no filme, a não ser cuidar da irmã), consiga ir até a Itália. O roteiro acaba sendo superficial demais ao criar suas situações. E Lucy parece perdida no tempo: vive em 1993, mas aparenta estar presa no começo dos anos 60.

Ksenia Solo vive Lucy e sua imagem quase infantil não deixa de ser a correta para a protagonista. Maria Bello é a mãe, com uma atuação que beira o mediano.  Mary Lynn Rajskub, na pele da tia, está adequada. É complicado analisar os atores quando eles não parecem tão entregues ou exigidos para o papel. O filme tem um desejo de ser contemplativo e intenso, mas é raso, ficando sempre em algo que exprime frivolidade.

Tanto a fotografia quanto a sonoplastia trabalham com o intuito de ser parte do universo criado. Foram desenvolvidos para o ponto de vista de Lucy, então há um romantismo, uma utopia, quase algo fantástico. O trabalho da equipe técnica foi feito para andar em conjunto com a visão infantil e inocente da personagem principal.

Taron Lexton dirige essa obra que visa ser uma homenagem à Fellini, mas falha no produto final. É um filme que começa interessante, porém não se mantêm. Lexton pode reconhecer o mundo do diretor italiano, entretanto, ainda não tem profundidade para entendê-lo e deixa tudo sempre na margem, bonito pela aparência, pelo que sua produção conseguiu fazer, mas sem intensidade. Apenas uma imagem que pode ser agradável aos olhos, mas brevemente esquecida pela próxima obra. Federico Fellini merecia mais.

Em Busca de Fellini estreou no dia 07 de Dezembro.

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