Desde o casal Ross e Rachel da icônica série “Friends” e seu grande dilema “ We were on a break!” (“ Nós estávamos dando um tempo!”), já sabíamos que, assim que se termina ou dá um tempo em um relacionamento, não é o momento propício para se envolver com um outro alguém.

O mais novo longa da Netflix “Fica comigo”, com Bella Thorne, trata das consequências de um ato imprudente nesse período complicado. O personagem de Taylor John Smith, Tyler, era completamente apaixonado pela namorada Alison (Halston Sage), que havia se mudado há pouco tempo para sua cidade. Apesar de ter pais ausentes por trabalharem demais e precisar cuidar da sua irmã mais nova, Tyler era feliz com a namorada que tinha e seus amigos Gil (Nash Grier) e Lydia (Anna Akana).

Em uma festa que o grupo resolveu ir, Tyler e Ali esbarram com um conhecido da cidade de onde Ali veio, com quem, nitidamente, ela teve algum envolvimento. Incomodado com as piadas que Chase, o tal garoto de São Francisco, fazia em relação a sua namorada, Tyler resolve tirar satisfação com a menina e os dois acabam terminando. Com raiva do que aconteceu e saber que ela já tinha se relacionado com o personagem de Rhys Wakefield, Tyler deixa a festa com a menina que tinha trocado apenas algumas palavras na fila do banheiro. Mal sabe ele que foi nesse exato momento que sua vida começaria a desandar.

Tyler e a personagem de Bella Thorne, Holly, foram para uma boate, se divertiram e acabaram se relacionando em um casarão que Holly alegava ter invadido. Os dois passam o dia seguinte juntos, como se fossem um casal de pombinhos. Depois, aparentemente, ele acorda para a realidade e resolve voltar para casa. Com o celular sem bateria, só ao chegar em casa que ele vê a loucura que tinha cometido por sumir um dia, deixando todos preocupados. Para a sorte do “bom moço”, Ali o chama para conversar e os dois acabam voltando. O grande problema ocorre quando, no dia seguinte, ele descobre que a menina que havia passado a noite, seria sua colega de sala.Desde o início, tentando se aproximar do grupo de amigos de Tyler – principalmente, de Alison –, Holly demonstra sua obsessão pelo rapaz e o quanto ela espera que os dois fiquem juntos novamente. Cheia de indiretas e tentativas de sedução, Holly consegue virar íntima de Ali, deixando Tyler bastante preocupado. Com Ali e Gil envolvidos pelo jeito de Holly, só a melhor amiga da namorada que acha estranho os comportamentos da novata.

Conforme a obra de Ben Epstein vai andando, mais momentos de tensão o personagem de Taylor John passa, até que um dia a verdade vem à tona, gerando uma série de consequências não só para ele, bem como para todos os envolvidos na loucura de Holly Viola.

Como é possível deduzir, o filme é simples e não traz nada além do mundinho suspense adolescente. Geralmente, temos um maluco, não importa o gênero, que se apaixona após uma noite quente com a vítima ou apenas um flerte e a narrativa é desenvolvida a partir desse ponto. A história é previsível, mas merece o elogio de que não exagera por completo e vai além do que uma adolescente doente faria. Obviamente, era viável poupar algumas cenas escolhidas, incluindo a morte de um personagem durante os momentos cruciais de luta e quase que matar a melhor amiga de Alison, mas não é de todo mau gosto, não.

Entretanto, há alguns tópicos que precisam ser revistos: o primeiro seria a escolha de Bella Thorne para ser a vilã. Ok, temos algumas lembranças boas dela e de sua personagem da série da Disney “No ritmo”, mas ela cresceu e não se tornou uma atriz que ajude no desenrolar de uma história. Com as mesmas feições, ela só convence como tarada e que – isso pode ser um erro de direção – demonstra de forma tão nítida o seu interesse amoroso no personagem Tyler que só uma pessoa muito lesada para não perceber (pelo visto, era o caso dos personagens Gil e Alison).O outro problema, mas que não seria desse longa específico, é a obviedade das ações do vilão. Seria bem mais legal e menos frustrante assistir a um filme com cara de novo e original. Ter sempre casas enormes, com os pais ausentes em grande parte do tempo e com todas as luzes desligadas sem nenhum segurança tomando conta, já chega a ser um pouco surreal e ultrapassado.

Em contrapartida, a trilha sonora combina perfeitamente com as cenas, mostrando, no início, como a vida dos adolescentes é considerada uma festa prolongada. Houve momentos em que as músicas típicas tocadas em boates foram retiradas, mas apenas no intuito de adequar uma canção para a mudança de cena. Além dessa boa parte, a fotografia do filme foi surpreendente também, podendo ser por uma boa escolha de cenário, com a luz adequada, ou por talento do responsável. Para finalizar os elogios, a escolha de um elenco realmente jovem e que não seja já “velho” para interpretar um adolescente precisa ser levada em consideração.

“Fica comigo” está disponível na plataforma Netflix, recém-saído do forno e que pode ajudar em momentos de tédio nos segundos finais das férias e início da volta às aulas. Veja o trailer:

Crítica: Fica Comigo
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9.9