Vencedor de dois prêmios na Semana de Crítica do Festival de Cannes, “Gabriel e a Montanha”, de Fellipe Gamarano Barbosa, narra de uma maneira sensível, divertida e íntima a história real dos últimos 70 dias de vida de Gabriel Buchman, interpretado pelo alegre João Pedro Zappa, em sua viajem pelo continente africano, desbravando Quênia, Uganda, Tanzânia e seu fim no Malauí.

Em 2009, Gabriel Buchman foi encontrado morto por hipotermia em uma trilha solitária ao monte Mulanje, no sul do Malauí, quase 20 dias após o seu desaparecimento. O jovem economista carioca havia partido em uma viajem de um ano pelo mundo, visando aprender na pele mais sobre a miséria e a educação ao redor do globo antes de começar o seu doutorado em políticas públicas na universidade da Califórnia.

É curioso como um filme sobre a morte de alguém consegue ser contado com tanta vida e de forma tão entusiasmada. “Gabriel e a Montanha” é mais do que um simples entretenimento, é uma forma de pensarmos nós mesmos e qual o nosso propósito no mundo, além de ser uma homenagem radiante ao protagonista. Gabriel necessitou viver e aprender e isso foi o que o fazia se sentir completo. Era enquanto estava vivendo junto aos africanos que o Gabriel Buchman se sentia verdadeiramente completo. A interpretação de João Pedro Zappa(conhecido por Boa Sorte!) se torna a ferramenta essencial para contar essa história de viagens e de encontros de caminhos entre Gabriel e todos aqueles que sua vida cruzou na curta passagem na África.

O filme narra a história da maneira mais próxima e verossímil o possível, fazendo o espectador se sentir quase como um companheiro de mochilão do protagonista. Também não era para menos. O diretor Fellipe Barbosa, conhecido por “Casa Grande”(2014) com que ganhou o prêmio de público no Festival do Rio, era amigo de infância do herói de seu filme, buscou ao máximo reproduzir todas as etapas da viagem do falecido amigo o mais próximo possível do ocorrido, fazendo entrevistas com diversos locais que estiveram em contato com Gabriel e até levando sua equipe de gravação ao topo do monte Kilimanjaro, para poder reproduzir os passos de Gabriel no Quênia. O roteiro do filme foi inteiramente escrito em cima do diário de viagem que Gabriel registrava suas aventuras, das fotos que estavam em sua câmera, encontrada próxima ao seu corpo, e de cartas e e-mails escritos para amigos e familiares durante sua travessia pela África. Além disso, o diretor contou ainda com o apoio da namorada de Gabriel, Cristina Reis, interpretada no longa pela cativante Caroline Abras, que acompanhou o namorado durante sua passagem pela Tanzânia e pela Zâmbia e trabalhou como consultora de roteiro. O roteiro ainda foi feito através de inúmeras entrevistas com personagens que fizeram parte da viagem de Gabriel, a maioria dos quais atuam no filme interpretando eles próprios. O filme é uma reconstrução detalhada dos passos de Gabriel.

O longa-metragem é uma celebração alegre da vida de Gabriel e nos faz ter umavisão mais simples sobre o que esperamos fazer com o nosso tempo em vida.

O filme é uma co-produção entre Brasil e França e foi a única produção brasileira presente no festival de Cannes de 2017, o longa recebeu dois prêmios durante a Semana de Crítica, que é o evento paralelo às Palmas de Ouro no festival, como prêmio revelação e o prêmio da Fundação Gan, destinado à difusão de obras audiovisuais.

“Gabriel e a Montanha” estreia nos cinemas brasileiros no dia 2 de novembro de 2017, mas você poderá conferi-lo antes nas telas do Festival do Rio, onde será exibido em sessões que ocorrerão entre os dias 11 e 15 de outubro com ingressos limitadíssimos, não percam.

Crítica: Gabriel e a Montanha
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