Crítica: Gladiador

Ridley Scott é um cineasta notório por seu trabalho relacionado à ficção científica. Criador da série “Alien”, o diretor também é responsável pelo clássico “Blade Runner” e pelo curioso “Perdido em Marte”, lançado apenas alguns anos atrás. Scott não traz, no entanto, sempre boa qualidade em suas produções. Há filmes de excelente peculiaridade e outras bastante fracas. O ponto é que, mesmo assim, não é um realizador que se prende somente ao mundo da ficção científica. “Gladiador” veio para provar isso, homenageando obras consagradas como “Spartacus” e “Ben-Hur”. Mesmo que só se tenha falado ouvir desses outros, já dá para dizer de imediato que, parnão seria uma tarefa fácil.

“Gladiador” pretendia ser um épico, passando-se na Roma Antiga, enquanto Império já extenso. Acompanhamos a história de um general, Maximus, que busca por vingança ao perder tudo que tinha nas mãos do usurpador e cruel filho do imperador Marco Aurélio. Já conhecemos esse tipo de narrativa, que acaba esbarrando em questões como redenção e busca de um indivíduo por um objetivo.

O centro do roteiro é, inevitavelmente, o arco dramático de seu protagonista. Naquilo que propõe como essência da história contada, funciona de forma razoável, mas não pela falta de certa originalidade, que existe aqui. Em realidade, as motivações de Maximus são engajadoras e proporcionam cenas catárticas, mas nada que seja muito memorável. O que não permite um maior salto de qualidade é a unidimensionalidade que muitos dos personagens carregam consigo, fazendo tudo um conflito do que é certo contra o que é errado e encerrando-se nisso. Queremos que o protagonista alcance sua meta e isso se deve ao carisma que ele tem, mas se torna um elemento enfraquecido dados outros problemas do roteiro.

Apesar disso, Russell Crowe vai muito bem. É possível reparar claramente em suas feições atormentadas e o cansaço ao longo do tempo, tal qual seu desejo por vingança. O ator cumpre muito bem seu papel também em cenas de ação, simulando um verdadeiro guerreiro romano da idade antiga. Os outros atores trabalham na medida do que o roteiro permite, mas fica evidente o esforço de atores como Joaquin Phoenix, que fazem o que podem com suas habilidades cênicas.

Por outro lado, as ambientações são fantásticas. Acreditamos piamente estarmos nos territórios europeus da Idade Antiga, onde o Império Romano tinha vasto domínio. A cena de abertura, retratando uma batalha contra bárbaros germânicos também mostra isso bem, caracterizando de forma clara os dois lados. Nesse sentido, a maquiagem e o figurino de ambos os lados ajudam tal diferenciação a funcionar, e fazendo isso de modo orgânico. Essa sequência, aliás, mostra a que o filme veio. É uma batalha crua, com tons frios dominando a tela, nada é romantizado. A violência é mostrada em algum grau, bem como seu resultado para os soldados presentes. Apesar de serem elementos mais presentes nessa cena, eles tentam se fazer presentes por toda a projeção.

Um espetáculo a parte é a trilha sonora. Grandiosa como deveria ser, ela mobiliza o espectador, estabelecendo temas para personagens e para batalhas desde o início. Não há como não lembrar de trabalhos semelhantes como o que existe em “Coração Valente”, que parte das mesmas características. Todo o som diegético que tange armas, batalhas e veículos de época merecem também menção por seu realismo.

Apesar de não ser perfeito, longe disso, “Gladiador” cumpre boa parte do que promete. Consegue ser cativante e mobilizador para quem o atinge, fazendo isso com alguma proficiência. É um bom épico, mas provavelmente não se iguala aos outros grandes nomes do gênero. Seu maior problema é ser pretensioso demais, podendo ter sido mais contido, mas com mais qualidade.

Crítica: Gladiador
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