Crítica: Hector

15129625_1617748378519570_594573335865645987_oHector não sabe mais o que fazer para suprimir a dor advinda das lembranças do passado. Conhecido como Latrina, o ex-policial de personalidade conturbada passa seus dias revivendo o passado com o objetivo de enxergar a redenção de seus pecados e o alívio para sua angústia. Depois de ter se tornado um evangelista, ele tentar alcançar isso através da fé.

Todos nós já passamos por coisas difíceis na vida: seja ela a perda de algum ente querido, um animal de estimação, ou mesmo as tentativas errôneas que cometemos. Porém, nos prendemos nessas lembranças ruins é o início de um processo que pode levar a depressão, e consequentemente a morte. Hector tenta nos contar a história de um personagem que passa por todo esse processo. Apesar de que assisti-lo até o final, seja também uma tarefa bem complicada.

O diretor Edu Felistoque tenta dar um toque de estudo de personagem ao filme Hector, sua câmera fica pausada a maior parte do tempo em seu personagem principal e o acompanha em praticamente todos seus afazeres. Essa decisão cabe também ao fato de que Hector parou de viver sua vida para lamentar pesares do passado. Porém, a construção do personagem não é tão envolvente para que nós queiramos ver aquela pessoa em todas suas vertentes, tornando assim o filme monótono e entediante.

Isso se deve, também, ao fato da montagem do longa não ser muito bem realizada. A troca de passado e presente é tão confusa – sem ao menos uma distinção entre ambas – que o espectador precisa de no mínimo vinte minutos de filme para se inteirar de toda situação. Além disso, a narração em off, muito usada para explicar situações, é aqui utilizada como “tanto faz”, hora ou outra aparece uma para tentar criar uma rima visual entre uma passagem da bíblia com algo acontecendo na tela.

15195859_1617748388519569_8023613534560057016_oJá as atuações não funcionam em nenhuma de suas vertentes. Sérgio Cavalcante, que interpreta o personagem principal Hector/Latrina, tenta passar um ar melancólico no presente e de tristeza no passado, porém, escolhe fazer interpretações totalmente diferente para ambas. Uma falha quase brutal, pois seu personagem está revivendo acontecimentos passados, sendo assim tendo que aproximar os dois, não afastá-los. Rodrigo Brassoloto faz o que pode com o material limitado, seu personagem Carlão aparece bastante, mas fica de lado na maioria das cenas por ter poucas falas. O resto do elenco é apenas “okay”.

Contudo, a fotografia azulada torna algumas partes fastidiosamente triste e angustiante, contrapondo com uma mais intensa e quente quando Hector toma algumas decisões mais arriscadas. Dando assim boa dinâmica entre cenas estáticas e outras mais aceleradas. Porém, ainda assim toma algumas decisões equivocadas, como aquela em que a câmera gira ao redor de dois personagens dialogando. Achando que assim vai dar um ar de importância maior a conversa, mas, na verdade, só a torna nauseante.

Por fim, o filme Hector faz parte da trilogia da vida real. Porém, falha em todas as tentativas de se tornar algo mais valioso. Não consegue ser um filme pra fazer você se sentir bem – como tenta em seu final, não consegue ser misterioso e surpreendente como tenta em seus dois plot twist, e ainda falha em representar a vida de uma pessoa com claros indícios de depressão. Enfim, a única coisa da vida real em que acerta: é a chatice.

Por Will Bongiolo

Crítica: Hector
2.5Pontuação geral
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