12764830_550683395095253_6202518874484790754_o_0Mais um bom filme chega aos cinemas brasileiros para fazer o público se deixar seduzir pelo cinema argentino. Uma produção hispano-argentina para ser mais precisa. “Kóblic”, do diretor Sebastián Borensztein, é um drama ambientado na última ditadura militar ocorrida na Argentina. O filme conta a história de Kóblic (Ricardo Darín), um ex-capitão do exército que fez parte das operações aéreas conhecidas como “voos da morte”, onde pessoas consideradas subversivas eram lançadas no Río de La Plata. O militar se torna desertor e vai se esconder em um pequeno povoado.

São 92 minutos bem aproveitados de filme. A começar pela escolha do local de esconderijo do personagem (que provavelmente não teve escolha), já que em cidade pequena ou vilarejo, um forasteiro nunca passa despercebido. A chegada de Kóblic atrai olhares de curiosidade e desconfiança e ficamos o tempo todo pensando se esse ou aquele sabe ou desconfia de sua identidade, ou se é apenas indisposição com alguém que não pertence ao lugar, vivendo a angústia junto com o personagem.

O clima de tensão se mantém durante todo o tempo, cada momento na dose adequada. As surpresas são usadas nos momentos certos e sem exagero. Reforçado pela trilha sonora, esse clima se mantém sem necessidade de grande alarde ou tantos sustos que sucedem o suspense.

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Essa última frase faz com que pareça que a crítica é sobre um filme de terror, mas considerado o que foi vivido nesse período não é muito diferente. O filme retrata uma parcela pequena parcela do horror que foi vivido sob o ponto de vista de alguém que esteve do lado dos vitimadores. A angústia é vista pelas imagens que passam constantemente pela mente do protagonista, que mostram pessoas sendo arrastadas e atiradas do avião ao encontro da morte. Além disso, Darín consegue transmitir a constante sensação de estar sendo observado e perseguido. Mas não é só ele que dá um show de interpretação (o que não é novidade no caso dele). Oscar Martínez faz um antagonista que desperta o ódio de qualquer um. É aquele perseguidor que mesmo antes de desconfiar que o protagonista é militar já fica logo em seu encalço.

Cada detalhe do filme deixa o público imerso na tensão vivida pelo personagem em uma cidade que veste uma face de pacata, mas seus moradores (como se não bastasse a ditadura) vivem cada um seus próprios pesadelos e agonias quando estão sozinhos em seus lares.

Crítica: Kóblic
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