Crítica: Lembranças de Um Amor Eterno

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Basicamente todos querem viver um grande amor. Sim, não todo mundo mas mesmo algumas almas ‘frias’ querem ter aquele momento que faz tudo valer a pena, ser diferente, inesquecível e memorável. Muitas pessoas passam suas vidas buscando sentir apenas isso.

Lembranças de Um Amor Eterno acompanha Amy (Olga Kurylenko), uma estudante universitária que tem um namoro com seu professor, Edward (Jeremy Irons). O romance dura seis anos, mas é mais por correspondências, chamadas de vídeos e emails que encontros físicos, mas isso não parece atrapalhar. Até que em uma palestra, quando Amy esta trocando email com Ed, ela fica sabendo que ele morreu.

Só que o que parecia uma triste história de amor interrompida por um trágico destino não chega ao seu fim. Ed, inteligente como era, deu seu jeito de continuar se correspondendo com ela, usando alguns ‘cúmplices’. O professor tem uma mensagem para cada ocasião e Amy acaba mergulhando nelas.la-corrispondenzaO romance entre eles dois é lindo. Vive, apesar dele estar morto. Ele procura ajuda-la, guia-la, mesmo que não esteja presente fisicamente. As frases são lindas e chegam para aquecer o coração dela e fazer com que a perda não se torne sufocante. Mas, Amy sente falta dele a cada segundo. E ele esta presente o tempo todo. É justamente ai que o filme perde o pulso da história.

Ela é uma mulher jovem, bonita, que deveria estar se recuperando de uma perda como nos recuperamos quando perdemos alguém querido, só que ao invés disso esta presa as lembranças de Ed. Chega um momento, em um rompante, que ela corta o contato e isso quase a destrói por dentro. Ela esta tão presa a ele que perde, inclusive, sua frágil estabilidade emocional. O médico que cuidou de Ed, e a única pessoa que se recusou a ser seu ajudante em todo esse engenhoso plano, a alerta sobre quanto isso pode prejudica-la, mas Amy não se interessa, estando, afinal, tão dolorida pela perda.

É difícil não se compadecer pela personagem, afinal estamos todos ‘na mira’ para viver algo assim, mas o que no começo era uma ajuda, virou uma obsessão, que se serviu para a personagem em seu luto, também a desestabilizou. Olga Kurylenko, como Amy, entrega uma personagem frágil, delicada e forte ao mesmo instante. Boa parte do filme precisa dela para acontecer e ela consegue lidar com isso (não que sua atuação seja digna de um Oscar, mas pelo menos não boicota o filme com uma atuação fraca). Jeremy Irons, como o professor Edward, faz um papel charmoso, mas que precisava de uma quebra maior do que a que foi dada no filme.

Em algum momento da história, você vai se lembrar de PS: Eu Te Amo, claro, seguramente. Não existem muitos filmes por ai sobre homens mortos entrando em contato com suas amadas. Mas, dependendo do contato, lembramos também de outro homem morto que contacta sua parceira: o apaixonante Ghost – Do Outro Lado Da Vida. Sempre sobra um pouco de romance e “pieguisse” brega para gente se apaixonar mais um pouco.

Giuseppe Tornatore continua possuindo um toque magistral, uma visão única. Sua direção complementa o roteiro, as atuações e a fotografia, que torna tudo tão realmente romântico como deveria ser. Não é seu melhor filme, mas ainda assim vale a pena assisti-lo.

Lembranças de Um Amor Eterno estreia dia 22 de setembro em circuito nacional.

 

Crítica: Lembranças de Um Amor Eterno
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