Podemos dizer que “Liga da Justiça” é um filme que nasceu pressionado. Se por um lado o fracasso de seu antecessor “Batman Vs Superman: A Origem da Justiça”, assustou a Warner Brothers, por outro há o grande sucesso angariado pela aventura solo da “Mulher Maravilha”. Dois extremos que mostram o desequilíbrio da DC em suas obras cinematográficas. Além disso, Zack Snyder deixou a produção ainda na fase de montagem, por causa da morte de sua filha. A solução foi chamar Joss Whedon para tocar o barco. Os fãs ficaram com o pé atrás quando Whedon decidiu mexer no roteiro e refilmar algumas cenas, e a bizarra história do bigode de Henry Cavill veio para completar o caos das refilmagens. Não há como negar que esses eventos deixavam um forte cheiro de bomba no ar, mas, felizmente, o cheiro se dissipa já nos primeiros momentos do longa, onde vemos a Mulher Maravilha em uma excelente sequência de ação.

Como já sabemos pelos trailers, o inicio é ocupado pela busca de Bruce Wayne (Ben Affleck) por aliados; para tentar proteger a humanidade de uma ameaça poderosa. Temos aí a introdução rápida (provavelmente por causa da interferência de Whedon) de Barry Allen (Ezra Miller), Arthur Curry (Jason Momoa) e Victor Stone (Ray Fisher), respectivamente Flash, Aquaman e Cyborg. Os três se juntam à Princesa Amazona (Gal Gadot). A interação entre o grupo também é breve, mostrando alguns conflitos que não passam de superficiais. O vilão é o Lobo da Estepe, que esta atrás das três caixas maternas escondidas com as amazonas, os atlantes e humanos.

O tempo é o maior problema de “Liga da Justiça”, já que o roteiro precisa apresentar inúmeros personagens e desenvolver a trama. O corte original de Zack Snyder possuía duas horas e cinquenta minutos, mas, depois das intervenções, foi montado com duas horas cravadas. São minutos que fazem falta em um blockbuster dessas proporções. Tudo é em grande escala e cada personagem precisa de espaço de tela suficiente para agradar os fãs, afinal, tratam-se de lendas da cultura pop. A montagem é eficiente em usar fragmentos de histórias e transformar em introduções, no entanto, não consegue mascarar a estranheza que é causada quando conflitos importantes são resolvidos em segundos.

Os efeitos visuais seguem o padrão de qualidade típica de Hollywood, só apresentando alguns problemas pontuais. Um deles é o rosto do Superman em um flashback do inicio do filme. A tentativa de retirar o bigode não foi totalmente eficiente, transfigurando o rosto do ator e ainda mostrando vestígios de pelos na face. Algumas cenas mostram claramente bonecos digitais e a artificialidade de seus movimentos. Se a montagem é bem trabalhada na introdução dos membros da Liga, o mesmo não pode ser dito da sua capacidade em ambientar o espectador durante algumas lutas e perseguições, contudo, aqui, a direção também tem sua parcela da culpa. Em vários momentos é confuso saber o que está se passando na tela; os planos fechados não ajudam na identificação do cenário e não é possível acompanhar a movimentação dos heróis e vilões; tudo fica extremamente embaralhado.

Os pontos descritos acima mostram que “Liga da Justiça” não é perfeito e segue convenções do cinema comercial, assim como seus concorrentes vindos da Marvel. Deixando os detalhes técnicos de lado, a experiência é prazerosa e empolgante, não tendo nenhum ponto que ofenda a quem assiste. O medo de mais um fracasso será esquecido após a estreia, e todas as pessoas ficarão apaixonadas e se divertirão com as piadas do Flash, a carranca do Aquaman, a beleza, nobreza e força da Mulher Maravilha; se colocarão na pele do Batman, o único sem super poderes, e sentirão saudades do Superman. Toda a força está nesses personagens, por isso, os aplausos surgirão ao final da sessão. No final mesmo! Já que há cenas importantes depois das últimas letras dos créditos.

Obs: Não perca tempo com a versão em 3D, é apenas um artifício vazio para gerar mais bilheteria.

 

Crítica: Liga da Justiça
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7.9