Um filme que toca fundo na emoção

Até que ponto a família é o nosso porto seguro? Até que ponto as escolhas profissionais de seus membros podem afetar o dia a dia de todos? Como lidar com a morte de um ente querido?

O amor é o sentimento mais sublime que o ser humano pode sentir. Ele está presente em diversas escolhas que fazemos ao longo do tempo. Seja pela pessoa que se apaixonou, seja através da família co-sanguínea ou mesmo uma escolha profissional. Independente do motivo, qualquer um deles traz consequências boas e ruins.

O filme “Mais Forte que Bombas” conseguiu reunir todos esses elementos ao contar a história da família Reed, que está despedaçada pela morte da matriarca – uma conhecida fotógrafa de guerra. Passados 3 anos, a família ainda vive a dor da saudade e as suas dificuldades na convivência, principalmente por parte do filho mais novo Conrad (Devin Druid), que mora com o pai. Conrad é um garoto anti-social que vive na frente do computador e tem extrema dificuldade de lidar com os seus sentimentos, principalmente em se abrir com o pai. Já Jonah (Jesse Eisenberg), é um homem que acabara de se tornar pai, mas não estava preparado para as responsabilidades adultas e paternais. Por fim, o pai Gene (Gabriel Byrne), tentando levar sua vida adiante, se envolve com a professora do seu filho Conrad, o que pode gerar um outro grande problema para eles.

Dentro desse contexto temos uma mãe (Isabelle Huppert), que optou pela profissão de fotógrafa de guerra, deixando a família em segundo plano. Isso a leva a uma depressão e a níveis complicados dentro de sua relação familiar, culminando com a sua misteriosa morte.

O filme é levado por um ritmo bastante lento, que fica evidente no decorrer da trama, mas é interessante a forma com que o diretor Joachim Trier nos apresenta os personagens, mostrando o ponto de vista de cada um deles na hora certa.

De uma forma geral, todos os atores estão muito bem. Mas a surpresa fica por conta do novato Devin Druid, que interpreta Conrad, conseguindo fazer com grande realismo o jovem anti-social que tem uma paixão platônica por uma colega de classe. Embora não seja surpresa, Gabriel Byrne brilha em sua atuação. Ele consegue extrair o seu melhor com tamanha sutileza nos olhares e detalhes do personagem.

Temos uma trilha sonora não muito presente, mas quando entra em cena, dá o tom e emociona.

A direção de Joachim Trier nos traz uma estética bem apurada, sempre preocupada com os detalhes e alguns simples e bons diálogos. Um filme bem dirigido, com cortes objetivos.

Talvez “Mais Forte que Bombas” não seja um filme que ao ler a sinopse faça o espectador ir ao cinema, mas se for, com certeza sairá mexido de alguma forma, pois lida com os sentimentos mais comuns ao nosso cotidiano, tais como depressão, infidelidade, adolescência e família de um modo geral.

Por: Rodrigo Zingano

Crítica: Mais Forte que Bombas
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