Critica: Meu Amigo Hindu

A arte de enfrentar as adversidades 

“Meu amigo Hindu” conta a história do cineasta Diego (Willem Dafoe), que muda completamente quando ele recebe o diagnóstico de câncer e precisa embarcar para os Estados Unidos, pois a sua única chance de cura é um tratamento em um hospital de Washington. Antes da viagem, casa-se com Lívia (Maria Fernanda Cândido) e recebe os amigos para uma despedida. Já no hospital, Diego conhece um menino hindu que também passa por um tratamento e logo surge uma amizade. O cineasta passa a contar suas histórias para o menino e os dois embarcam em viagens através da imaginação buscando fugir da dura realidade em suas vidas.

A ideia é mostrar como o personagem lida com a doença, desde a reação ao diagnóstico até a mudança que ela impõe à sua vida e daqueles que estão à sua volta, porém, não tem tanta conexão assim com o título já que apenas no meio do filme o protagonista conhece seu pequeno colega de tratamento, mas essa breve convivência não deixa de ter sua importância ainda que não seja o centro da trama como o título nos faz pensar.

Os momentos que os dois vivem juntos trazem muitas referências cinematográficas, o que está constantemente inserido na vida de Diego. Isso é visto em várias cenas, o tempo todo, como na cena em que Diego canta um trecho de “Cheek To Cheek” na cama do hospital. Ouvimos a música de fundo e ficamos sem saber se é realidade ou se faz parte de seus delírios. Temos também uma cena em que o cineasta convida a Morte para jogar xadrez, que é uma clara referência ao filme “O Sétimo Selo”. A morte por sua vez, interpretada por Selton Melo, não vem na sua clássica figura envolta em um manto negro, mas sim como um funcionário público, que está ali apenas para buscá-lo porque é o seu trabalho e ele tem seus benefícios (bom salário, férias, etc).

A obra, realizada pelo diretor Hector Babenco, é brasileira. Porém o protagonista (tanto o ator, quanto o personagem) é americano, por isso é todo falado em inglês. É até interessante assistir a um filme falado no idioma inglês tendo um elenco predominantemente brasileiro, mas acaba sendo um tanto estranho já que o personagem vive no Brasil tempo suficiente para saber falar, pelo menos, um pouco da nossa língua, e nem quando dois personagens brasileiros conversam entre si eles falam em português.

O filme possui um bom elenco, mas o roteiro parece ter espaço apenas para a atuação de Willen Dafoe, que está excelente, mas acaba sendo um pouco cansativo. A única que quase consegue roubar a cena é Bárbara Paz, com o seu jeito teatral e lúdico de sempre. Temos algumas cenas interessantes, mas nenhum momento do filme nos traz grandes surpresas.

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