Crítica: O Dia do Atentado

Vivemos em tempos difíceis. Ataques terroristas estão, infelizmente, se tornando comuns nos noticiários, e um dos países que mais sofrem com esse mal são os EUA. Após o onze de setembro diversas medidas de prevenção foram tomadas, mas, nenhuma delas impediu outro ataque devastador em 2013. Esse ataque que, se não alcançou o número de mortes do World Trade Center, feriu profundamente os moradores de Boston, porque atingiu sua tradicional maratona de rua e foi executado por moradores do local.

Claro que Hollywood não poderia deixar de fazer um filme a respeito do ocorrido, como já havia feito um sobre o ataque às torres gêmeas. Os lucros de bilheteria talvez fiquem em segundo plano quando se pensa um filme desses; os envolvidos podem querer construir uma forma de homenagem ou mesmo um ato de patriotismo, tornando-o uma espécie de mastro de bandeira, onde as cores da America ficam sempre no ponto mais alto.

“O Dia do Atentado” faz uma reconstituição quase literal do fatídico dia; somos apresentados aos personagens que fizeram parte da história, mostrando suas vidas de antes do atentado. Peter Berg acerta em aprofundar essas histórias, para que o espectador se familiarize com elas antes da tragédia. O roteiro é apoiado em seu primeiro ato na preparação da maratona e também na execução do plano dos terroristas e segue com toda a tensão que precedem as explosões, mostrando as pessoas que serão as vítimas e os executores do ataque. A especialidade do diretor em filmar cenas de ação são usadas nas sequencias tensas de resgate às vítimas e depois na busca da polícia pelos terroristas. As nervosas câmeras na mão em tiroteios intensos contrapõem-se às cenas intimistas em planos fechados, onde a tristeza impera.

O elenco de peso, com rosto conhecidos, cria ainda mais conexão com o público e possui o seu melhor elemento em um Mark Wahlberg com atuação competente. O policial Tommy Saunders interpretado pelo ator é um sujeito carregado de magoas por seus colegas e por sua família. Parece que sua profissão já não faz mais sentido em sua cabeça e que ele logo irá perecer e largar o serviço. A expressão carrancuda de Wahlberg ajuda na construção desse personagem e o torna um pouco mais tátil. J. K. Simmons, John Goodman, Kevin Bacon e Michelle Monaghan são os apoios necessários para o bom desenvolvimento da história.

Todos os elementos transformam “O Dia do Atentado” em um filme policial dentro da média do que Hollywood está acostumado a produzir, mas escorrega em pesar a mão em elementos extremamente ufanistas e patriotas. Mesmo não transformando os terroristas em sujeitos unidimensionais, que só estão no longa para serem odiados, a representação da polícia e do exército como sendo os grandes heróis talvez seja um pouco exagerado, pois, pelo menos metade da culpa por esse tipo de atentado vem dos próprios norte americanos com suas forças imperialistas. Então, se isentar dessa culpa e apontar o dedo apenas para os fanáticos religiosos não é um caminho aceitável.

Um ponto louvável do filme é a grande homenagem feita para as vítimas, principalmente no final com aquelas famosas imagens de arquivo, mostrando as pessoas reais. Se levarmos para o lado da homenagem e esquecermos o patriotismo boboca, aproveitaremos melhor o que a obra tem a dizer.

Crítica: O Dia do Atentado
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