A grama do vizinho é sempre mais verde que a nossa!

É engraçado como nós seres humanos estamos sempre insatisfeitos com a nossa realidade. Isso talvez seja o ponto de partida para evoluir e estar em constante mudança. Porém, alguns acabam se acomodando e fazendo escolhas mais simples e fáceis. Mas mesmo essas sendo pequenas ou, inicialmente, parecerem insignificantes, um dia podem se tornar grandes, devido ao propósito por trás delas.

Baseado nesse pensamento, o filme “O Estado das Coisas” conta a história de Brad, interpretado por Ben Stiller, um cara aparentemente feliz com uma carreira razoavelmente lucrativa e uma família tranquila. Mas isso nunca é o bastante, uma vez que seus “amigos” de faculdade tem uma rentabilidade melhor e uma vida que parece praticamente perfeita. Ele se questiona a todo momento o motivo de não ter as mesmas oportunidades, as escolhas que fez até chegar a viver o momento atual e descobre que nem tudo é o que parece ser. Junto a todos os acontecimentos ele ainda tem que ajudar o filho Troy com os procedimentos e avaliações para entrar em alguma faculdade. O que o leva a “reviver’ o passado e se perguntar ainda mais.

O diretor e roteirista Mike White explora muito bem o equilíbrio entre a profundidade dramática da narrativa e a leve comicidade de ver um homem em sua meia idade tendo uma crise, que poderíamos facilmente dizer, de ciúmes envolvendo ambição. E, além disso, Mike consegue mostrar em um filme de ficção algo bem mais comum e real, uma situação que pode acontecer com qualquer um.

Com o uso do voiceover somos introduzidos as fantasias alimentadas por uma inveja do protagonista, o que nos aproxima cada vez mais dos sentimentos geridos pelo roteiro. Contudo, as reflexões são colocadas de forma sutil tentando mostrar uma humanidade a todo instante de forma que possamos entender claramente a necessidade de Brad.

O elenco conta com Ben Stiller, que está muito confortável em seu personagem trazendo um homem reflexivo e inteligente para as telonas e dividindo com o espectador todos os seus pensamentos. Para interpretar seu filho Troy na trama, temos Austin Abrams (“Cidade de Papel”). Como o filme é totalmente voltado para Ben, Austin não ganha muito espaço e fica a cargo de poucos diálogos também, apesar de ser o grande propósito dos questionamentos do pai. Atores como Luke Wilson, Michael Sheen e Jemaine Clement, fazem pequenas participações como seus ex-colegas “sortudos” de faculdade e todos os três são antagonistas caricaturados, o que deixa o longa limitado e um pouco defeituoso.

Mas apesar dessa pequena “falha”, o filme envolve uma questão interessante e realista que vale uma discussão plausível e que gera questionamentos no âmbito emocional. Estamos sempre em constate mutação mental e isso nos traz momentos de escolhas que podem fazer toda a diferença de como e para onde levamos nossas vidas. “O Estado das Coisas” é bom o suficiente para atingir mentes mais maduras, mas não é nenhuma super produção ou um blockbuster que irá garantir uma super bilheteria nos cinemas. Entretanto, vale a pena assistir e tirar suas próprias conclusões.

​Crítica: O Estado das Coisas
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