092580-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxUm ser humano possui normalmente 46 cromossomos. E o que essa informação nos acrescenta sobre esse filme? Com 47 cromossomos um bebê nasce com síndrome de Down e em 1 a cada 700 nascimentos ela aparece. Ou seja, é mais comum do que imaginamos! Mas como é viver com uma criança especial, que exige um cuidado e uma atenção maior? Como os pais lidam, no dia a dia, com todas as circunstâncias e a falta de preparação da sociedade para receber pessoas com diferentes síndromes?

Baseado no livro homônimo de Cristóvão Tezza, O Filho Eterno conta a história de um pai, Roberto, interpretado por Marcos Veras, que anseia pela chegada de seu filho, acreditando ser um marco e o começo de uma nova vida. Porém, sua idealização acaba ganhando, para ele, um sabor amargo quando descobre que Fabrício, seu bebê, possui síndrome de Down. A notícia desorienta completamente o pai que por longos anos não consegue lidar com a situação. Além disso, por ser um escritor ainda não reconhecido, ele não alcança o equilíbrio entre a profissão e a paternidade.

O drama, dirigido por Paulo Machline e roteirizado por Leonardo Levis, poderia ser um filme com uma história de sair do cinema em prantos. Mas com alguns exageros, ela acaba sendo forçada e por diversos fatores até mesmo um pouco “falsa”. O roteiro não chega a se aprofundar na dramaticidade que deveria, principalmente por se tratar de uma narrativa tão complexa e emotiva.

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A atuação de Marcos Veras não convence, começando pela narração fria, limpa de qualquer sentimento, como se estivesse fazendo apenas uma leitura de texto sem entonação. Débora Falabella faz uma mãe ensossa, sentimental, mas sem abertura em seu personagem durante todo o processo. A alma do filme é Pedro Vinícius, que interpreta Fabrício. Ele, a todo momento, é extremamente carismático e consegue fazer um trabalho extraordinário, misturando drama com comédia dentro de toda a pressão que a família sofre.

Contudo, o maior pecado da produção está no excesso de músicas em sua trilha sonora, feita por Gustavo e Guilherme Garbato, que sempre é colocada para dar um tom melancólico às cenas mais emocionantes. Já a direção de arte de Isabelle Bittencourt atinge o objetivo que é nos levar até os anos 80 e 90.

O Filho Eterno é uma história de amor, que apesar de tudo é tocante, fala sobre um assunto que a sociedade tem medo de abordar mesmo sendo normal, e vale a pena ser vista. Faz com que o espectador saia pensando em como nós seres humanos não sabemos lidar com divergentes situações e como o “sistema” não está preparado para todos. A verdade é que nós deveríamos nos adaptar em qualquer tipo de ocasião, independente de qualquer tipo de crença, cor, sexo…porque no final todos somos iguais apesar das dificuldades de cada um.

O filme estreia dia 1 de dezembro nos cinemas.

Crítica: O Filho Eterno
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