Crítica: O Touro Ferdinando

Na era do politicamente correto, uma animação entra em cena para “educar” e mostrar que é necessário ser quem você realmente é. “O Touro Ferdinando” chegou as telonas agora em 2018 como um longa-metragem, porém, a história já vem de longa data.

A primeira aparição do tourinho foi em um livro infantil lançado em 1936 de Munro Leaf e ilustrado por Robert Lawson. Na época foi um sucesso e ganhou diversos prêmios. Com toda essa repercussão, a Disney criou um curta, em 1938, que acabou levando um Oscar na categoria de Melhor Curta de Animação. De lá para cá houve um hiato, mas não poderia ser a melhor hora de lançar o filme, que não essa que estamos vivendo.

A história fala sobre um touro tranquilo e calmo, que diferente dos outros que gostam de “brigar” e tem pretensões de irem para as grandes touradas, ele prefere admirar a natureza e cheirar flores. Mas ele acaba crescendo e se tornando um touro forte e com um porte muito grande, chamando atenção dos toureiros. Sendo assim, ele se mete em uma super confusão que o leva direto à arena.

A animação vem para chamar a atenção dos pequenos, contudo, aos adultos, espera-se que os corações fiquem meio mexidos com a junção da qualidade com o conteúdo da obra. A parte mais importante é a mensagem que ela traz. Podemos ser diferentes, e somos! Cada um faz suas escolhas e devemos respeitá-las, por mais que não concordemos, mas acima de tudo, devemos entender que cada um de nós somos singulares e temos nossas diferenças. E o filme cumpre com o objetivo de transmitir isso de forma singela e divertida.

A direção do brasileiro Carlos Saldanha, de “A Era do Gelo” e “Rio”, mais uma vez nos contempla com uma produção muito bem desenvolvida e encaixada com seus pequenos detalhes que fazem a diferença. O equilíbrio certo entra a emoção e o humor levam o espectador a sair do cinema com uma sensação satisfatória e lúdica ao mesmo tempo, fazendo com que fiquemos apaixonados pelo tourinho.

Vale ressaltar a estética criada para esse universo. As lindas paisagens retratadas versus a arena, fazem um contraponto da natureza com o ser humano. Nossa tendência a desvalorizar os animais e usá-los como objetos de entretenimento e não como seres vivos são postas à mesa, mas sempre de forma sútil.

Aos personagens, no caso os dubladores brasileiros (a versão brasileira que foi disponibilizada para a Woo! Magazine), temos Duda Ribeiro como Ferdinando, dando um show de emoções com um touro grande mas muito fofinho. Nina, a humana que cuida de Ferdinando, é dublada por Maisa Silva que nos toca com uma personagem amável e, principalmente, uma boa amiga. De fato, não há muito destaque para ela, mas Maisa consegue deixar sua marquinha. Já Thalita Carauta, que vem como Lupe, a cabra doidinha, mesmo em sua primeira dublagem, consegue uma ligação incrível com o público, além, é claro, de ser a parte cômica do filme. Como o cavalo Hans temos um toque de Otaviano Costa.

Todos tiveram a felicidade de estar em uma produção muito bem roteirizada e dirigida. “O Touro Ferdinando” é relevante para toda a família. Você vai rir, chorar, se divertir, ficar angustiado, e sair com uma lição de vida. Para os pequenos será entender que o importante é ser uma pessoa de bom coração, independente se você for diferente de seus amigos. E para os adultos, é de que seus sonhos são apenas seus e podem se tornar realidade, mesmo que pareça um clichê, só depende de nós acreditarmos em nós mesmos.

Crítica: O Touro Ferdinando
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