Sucesso consolidado sob a premissa da clonagem humana, “Orphan Black”, da BBC, despediu-se no último sábado. Após cinco temporadas, a série encerrou a história de Sarah, Cosima, Alisson, Helena, Rachel, e outras possíveis clones, todas interpretadas por Tatiana Maslany. #FarewellOrphanBlack, a trama se encerra com sucesso.

Antes de mais nada, vale lembrar que “Orphan Black” é baseado em uma série de HQs, de mesmo nome e que possuem tradução pro português. Nos quadrinhos tudo é mais detalhado e mais fácil de entender, mas a série se esforça ao máximo para alcançar esse ritmo, mesmo que falhe algumas vezes.

Sarah Manning (Maslany), vê uma mulher cometer suicídio no metrô. Essa mulher, porém, é igual a ela. Assumindo a identidade da mesma, Sarah descobre ser um clone, e que precisa brigar para se ver livre da “Neolution”, uma corporação que explora os limites da genética humana.

Na primeira temporada, o foco era em Sarah e na descoberta de ser uma clone, além de ver sua família em risco. Isso tudo porque Sarah é uma “falha”, já que pode ter filhos e as outras clones não podem. Tudo isso se originou, no fim, há vinte anos atrás, quando Susan e Ethan Duncan, dois cientistas, deram início a clonagem de mulheres (Leda) e homens (Castor).

Para contar essa história, que abusa de flashbacks ao longo de suas temporadas, era necessário um roteiro claro que não deixasse nada em aberto, algo que é nítido em Orphan Black. Outro ponto importante durante esses anos foi mostrar a construção e a desconstrução de seus personagens – os clones – ao longo da história.

Isso acontece também pela capacidade da trama em criar conexões com o espectador, com personagens e personalidades distintas. Até mesmo a eventual desconstrução de Rachel Duncan ao longo da trama poderia ser prevista. Mesmo criada com a noção de ser um clone, Rachel nunca foi capaz de perceber os diversos abusos que sofria nas mãos de seus pais adotivos. Apesar de fazer papel de vilã, a personagem foi tão vítima quanto as outras clones do Leda e do Castor.

Brilhantemente, a ideia da premissa de “Orphan Black” funciona por um outro fator também: um elenco muito bom. Ainda que Tatiana Maslany seja o peão da trama, todo o elenco de suporte sustenta a série igualmente. Maria Doyle Kennedy brilha no papel de Shioban Sadler, a Mrs. S., mãe adotiva de Sarah e Felix, que conta com a brilhante atuação de Jordan Gavaris. Além de Kristian Brunn como Donnie, o marido de Alisson, Kevin Hanchard como o Detetive Art Bell, Évelyne Brochu como Delphine Cornier e Josh Vokey como Scott. Todo o elenco é essencial para o desenrolar da história.

Apostar também em uma trama futurista, onde cria-se o universo da clonagem humana sob uma visão social: a liberdade de ser alguém e não um projeto, no meio de tantos iguais. Talvez essa seja a parte emocionante de toda a história, que conquistou o público e o fez acompanhar o “clone clube” durante esse período. Há muito tempo não havia uma produção tão bem sintetizada quanto “Orphan Black”, que garantiu bastante à BBC e a Netflix ao longo desses cinco anos.

A partir da terceira temporada, onde ocorre um desenvolvimento maior do Projeto Castor, é que as verdadeiras intenções, bem como as respostas para 20 anos de perguntas acerca da “Neolution” começam a aparecer. No momento certo, colocam “os pingos nos is” e se desenvolvem sutilmente para começar a pensar em um fim.

Na quinta temporada, onde ocorre esse fim, a trama pode levar bons créditos pelo seu encerramento. Finalizada com justiça e mais centrado para um lado emocional, a quinta temporada consegue fechar a série com chave de ouro.

“Orphan Black” é para indagar, além de garantir aquele suspense leve em quem assiste. É uma produção brilhante, que merece toda a visibilidade que conquistou ao longo dos anos, além de toda a trajetória de Tatiana Maslany rumo ao Emmy, que terminou com um final feliz. A série pode se despedir com a sensação de uma missão comprida, fascinante do começo ao fim.

Crítica: Orphan Black
9.5Valor Total
Votação do Leitor 0 Votos
0.0