Crítica: Personal Shopper

Se fosse para definir “Personal Shopper” em apenas uma palavra, seria confusão. Em vários momentos no meio da trama, existe aquele sentimento de ter que parar e se perguntar: “onde era mesmo que estava a história?”. Escrito e dirigido por Olivier Assayas (“Acima das Nuvens” e “Depois de Maio”), com uma direção de fotografia bonita de se ver, figurinos que acompanham os sentimentos do filme e um clima de suspense bem trabalhado, a produção traz Kristen Stewart no papel principal, como a assistente de compras Maureen.

Maureen é uma americana, na casa dos 20 e tantos anos, que vive em Paris e trabalha como personal shopper (responsável por fazer compras em lojas de grife) de uma celebridade mundialmente conhecida. O emprego, que ela jura não gostar, serve para pagar sua estadia na cidade. A obra inicia com a personagem entrando em uma casa com Lara (Sigrid Bouaziz), que mais tarde descobrimos ser a ex-namorada de Lewis, seu irmão gêmeo que faleceu de um ataque cardíaco. O enredo gira em torno das descobertas da protagonista em relação a um possível “dom” de se comunicar com espíritos e suas dificuldades em relação a isso, somado a rotina que leva diariamente.

O roteiro linear, escrito também por Assayas, mostra o dia-a-dia da personagem principal criando uma espécie de ligação entre a história e o espectador. Apesar da profissão diferente da personagem principal, não é difícil encontrarmos uma conexão entre a vida dessa e nossa própria, através de elementos cruciais que fazem com que enxerguemos pequenos e possíveis detalhes que causam tal semelhança.

A direção de Assayas trouxe uma onda de suspense e fantasia que esperava-se do diretor, trabalhada com silêncios profundos, a partir de planos abertos que causam uma forte sensação de solidão, seguida de sequências que chegam a causar certos arrepios. Todavia, em outros momentos, o silêncio que se segue é tão grande que a cena acaba se perdendo, tornando perdido minúcias que poderiam ser importantes no decorrer da obra.

Yorick Le Saux é o responsável pela direção de fotografia do filme, trazendo uma paleta de cores sóbrias, se equilibrando entre tons escuros e claros que seguem o estado de espírito da personagem. Como, por exemplo, em relação a atmosfera e energia que ronda Maureen. Nesse caso, o profissional opta por trazer uma iluminação mais fechada, oferecendo um aspecto de peso.

Kristen Stewart (“Crepúsculo” e “Branca de Neve e o Caçador”) encabeça o elenco, abraçando o papel de Maureen. Muitas vezes criticada pela mídia, por sua falta de expressão em seus diversos trabalhos, a atriz vem nesse filme comprovar que esse seu “jeito de atuar” pode acabar funcionando para alguns projetos. Com uma interpretação apática, que cabe perfeitamente para a personagem, ela acaba convencendo em suas cenas ao mostrar uma pessoa normal, sem muitos maneirismos.

O figurino de Jürgen Doering segue o mesmo caminho da fotografia e nos proporciona um trabalho reflexivo, deixando no espectador uma sensação de vazio e incompreensão. As roupas escuras e largas, usadas por Maureen, demonstram o seu psicológico afetado e estado emocional também em crise. Como já foi dito, em alguns momentos que se faz necessário mostrar certas mudanças de humor na personagem, o figurino se adapta e ajuda o público a compreender certos sentimentos

Mesmo dividindo opiniões mundo afora, o filme foi ovacionado no festival de Cannes de 2016 fazendo com que Olivier levasse o prêmio de melhor diretor, dividindo a categoria com outro colega. No meio de tanta dúvida despertada por “Personal Shopper”, percebemos que thrillers psicológicos continuam sendo um segmento cinematográfico que resiste entre o 8 ou 80, ou seja: ame-o ou deixe-o. Nesse caso, apesar de termos um equilíbrio razoável alguns departamentos, ao todo, o filme acaba deixando a desejar bastante.

Por Beatriz Bertolli Paulini

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