Muito popular na década de noventa aqui no Brasil, por causa da exibição na TV globo, a série “Power Rangers” faz parte da cultura pop ocidental, mesmo se tratando de uma série com formato oriental: os famosos tokusatsu. Os norte-americanos, seguindo a tradição de remakes de obras de outros países, escolheram “Power Rangers” como os super-heróis adolescentes, que, ao mesmo tempo que passavam pelas agruras do high school, combatem inimigos que geralmente querem destruir o mundo.

“Power Rangers” versão 2017 possui aquele velho esquema de filme de colégio que acostumamos ver na sessão da tarde. Temos o Nerd que sofre bullying, o popular quarterback que se redime, a líder de torcida expulsa do grupo, a freak que não se encaixa em nenhum grupo e o outsider que se recusa a ir ao colégio. Todos eles precisarão se unir para se tornarem os heróis que impedirão que a sua cidade e o mundo sejam destruídos.

Todos esses arquétipos são usados para que a trama tome forma e para que o processo de se tornarem Rangers seja percorrido organicamente, e o filme acaba funcionando por causa disso. O roteiro foca nas dificuldades de cada um e transforma essas dificuldades em grandes obstáculos no treinamento e no insucesso em morfar. Temas como amizade, união e auto descoberta são, mesmo que superficialmente, discutidos neste processo, fazendo referência ao ótimo “Poder sem Limites”, principalmente no início, quando eles recebem suas moedas e descobrem que, com elas, vem poderes sobre-humanos.

Longe da execução das séries de TV, esse novo filme possui efeitos especiais de primeira, além de contar com o design das roupas dos heróis mais elegante, buscando mais referências nas armaduras do “Homem de Ferro” do que nas roupas colantes do passado. A única que fica aquém é a vilã Rita Repulsa, com a cafonice da maquiagem e do figurino, mas, quase certamente, essa cafonice seja proposital, trazendo a sensação de nostalgia aos fãs. Falando em nostalgia, há planos que remetem a série de TV, como quando é mostrado os robôs alinhados correndo para a batalha, ao som da música tema dos “Power Rangers”.

Um fato que incomoda, é a conhecida necessidade de destruição, que os filmes de super-heróis tendem a seguir. Aqui há destruição de quase toda a pequena cidade, mas, as consequências não são mostradas, não há mortes ou tristeza, existe apenas a superação. É evidente que não é um filme que trate de tragédias, mas já que é voltado para criança e adolescente, e busca trazer temas intrínsecos a essa fase da vida, seria interessante se o choque de realidade fosse imposto.

A nova roupagem vem para atualizar os heróis para o novo público, e também, para levar os velhos fãs ao cinema. Mesmo a trama sendo primária do início ao fim, vai-se ao cinema afim de revisitar ícones, o que faz com que deixemos de lado todos os problemas de obviedade que o roteiro possui.

A tentativa da Lionsgate em criar uma nova franquia é evidente, já que está órfã desde o término da franquia “Crepúsculo”. As qualidades e a popularidade de “Power Rangers” podem gerar muitos milhões para o estúdio e também diversão descompromissada e inocente para o público.

Crítica: Power Rangers
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