Crítica: Star Trek – Sem Fronteiras

O melhor dos três

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Trabalhar uma grandiosa história no cinema sempre teve suas dificuldades, além do texto que precisa estar bem amarrado para não se perder, a Produção necessita ser bem realizada e, ainda, se fizer uso de efeitos visuais e/ou especiais esse não pode deixar a desejar. Afinal, o público vem se tornando a cada dia mais exigente e o mercado extremamente competitivo. Se desenvolver algo original dentro desse porte já é complicado, imagina trabalhar em cima de um clássico, um produto que marcou época conquistando milhões de fãs ao longo do tempo, ao redor do mundo, transformando-se em uma marca registrada repleta de produtos de diversos tipos. Não fazer atenção com um nome desses pode gerar um grande problema para os profissionais envolvidos, não é mesmo?!

Felizmente, esse tipo de infortúnio não aconteceu com o retorno da franquia “Star Trek” para cinemas. Sucesso desde quando começou nos 60, como série de televisão, e posteriormente como filme no final da década de 70, a história e os personagens da obra voltam a brilhar anos depois pelas mãos abençoadas de JJ Abrams. Responsável por grandes produções na tv, como “Lost” e “Fringe”, e grandiosos sucessos no cinema, como “Super 8” e o revival arrebatador de “Star Wars”, o produtor conseguiu resgatar e remodelar com inteligência o universo de “Star Trek”, e, para isso contou com uma equipe que realmente sabia o que estava fazendo, entendendo desde o inicio a visão de Abrams.

Neste terceiro capítulo, intitulado “Star Trek – Sem Fronteiras”, o capitão kirk e sua tripulação, após voltarem de perigosas missões, acabam aceitando uma nova tarefa em prol de ajudar uma raça que foi ameaçada e quase toda aniquilada por um misterioso inimigo. Contudo, quando embarcam a bordo da consagrada Enteprise e iniciam a épica jornada para ajudar o viajante, percebem que o caminho que estão traçando dessa vez é mais perigoso do que pensavam.

De ponta a ponta, somos surpreendidos por uma fascinante produção que leva o nome de JJ Abrams e diversos outros profissionais. Abarrotada de efeitos especiais, todos muito bem conduzidos, o que engrandece ainda mais o filme, é difícil não se encontrar boquiaberto com o excelente trabalho elaborado e, principalmente, com as emotivas referências espalhadas pela obra. Claro, mesmo com diferentes pontos positivos, a empreitada também comete suas faltas e se esbarra em uma infinidade de erros de continuidade, inclusive alguns que nos deixam tentando entender como tal coisa foi parar ali. Contudo, embora mereçam ser citados, não são fatores de destaque e/ou que atrapalha o contexto em geral.

A grande surpresa do filme fica por conta do roteiro redondo, muito bem construído, assinado pela dupla Simon Pegg e Doug Jung. Sem grandes filmes (Leia-se blockbuster’s) no currículo dos roteiristas, os dois conseguem desenvolver a melhor história da nova roupagem. Dosando mistério em meio a muita ação, sem perder o toque certo da comédia, o roteiro trabalha com juízo cada uma das personagens, propondo a evolução emocional e racional dessas, e ainda aprimora os diálogos em relação aos outros filmes. A mudança de roteiristas foi uma grande cartada dos estúdios e espero que eles continuem nos próximos que virão a ser produzidos.14233472_1584806001813808_215415916_o

Como já vinha fazendo em outra franquia, “Velozes e Furiosos”, Justin Lin mais uma vez consegue realizar um trabalho impactante e de grande proporção. Parece que o diretor se indentificou tanto com o fabuloso universo de “Star Trek” que é possível enxergarmos a sua tranquilidade ao definir cada um dos enquadramentos utilizados para contar a história. Sem perder o fluxo da ação introduzida em grande parte da produção, ele ainda consegue direcionar com maestria o lado psicológico de algumas personagens, revelando com lucidez a sua interpretação do que se passa ali.Stephen F. Windon, parceiro de longa data de Lin, é o responsável pela notável fotografia do filme, muito bem pontuada entre cores e sombras. O contraste criado entre as paletas verde, azul, amarelo e vermelho, resgatam a identidade do filme original e propõe uma bela modernização ao atuar com os efeitos visuais de agora.

Zacchary Quinto sobressai mais uma vez ao dar vida a um dos personagens mais icônicos de todos os tempos. Sua impressionante construção de Spock, coloca-o acima do restante do elenco da Enterprise. Todavia, Chris Pine também não deixa a desejar e consegue estar melhor nesse filme que os anteriores. Sofia Boutella está muito bem vivendo a personagem Jaylah e nos cativa com um jogo simples e objetivo. Já Idris Elba comprova novamente o motivo de ser um dos grandes atores da atualidade. Mesmo embaixo de uma maquiagem pesada, o ator consegue impor a potência de sua interpretação e nos impressionar em suas cenas.

O renomado designer de produção Thomas E. Sanders, responsável por “Coração Valente” e o “Resgate do Soldado Ryan”, realiza aqui um trabalho tão sensacional quanto suas antigas execuçóes. Sanja Milkovic Hays, figurinista do filme, também entra no ritmo da produção e remodela um pouco os uniformes utilizados pela tripulação (em relação aos dois últimos). Mesmo sendo quase que imperceptível para alguns, os mesmos poderão ser facilmente notados pelos fãs.

A trilha sonora desenvolvida por Michael Giacchino é um ponto a parte para o filme. Além de ajudar a estruturar toda aventura, somos presenteados pelo clássico “Sabotage” dos Beastie Boys, que fornece um ar meio que retrô e ainda mais divertido a produção, e a profunda “Sledgehammer” composta por Sia e interpretada por Rihanna.

“Star Trek” chegou aos cinemas nessa última quinta e não se trata de apenas mais um arrasa quarteirões lançado, mas sim de uma reconstrução fantástica e bem feita de uma das melhores histórias de ficção de todos os tempos. Um trabalho que merece ser visto, seja você um fã ou não. Divirta-se!

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